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Domingo, 13 maio de 2007   edições anteriores
POLÍTICA
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  Vaivém de tucanos irrita parceiro

Ex-PFL critica aproximação do PSDB com governo e diz que não é possível ser oposição pela metade

O vaivém do tucanato em direção ao Palácio do Planalto, que chegou ao pico na última semana, quando o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), admitiu possibilidade de parceria eleitoral com o PT, tem razões que vão além da falta de rumo da oposição. Enquanto os parceiros do partido Democratas (DEM, ex-PFL) se irritam com o jogo de aproximação entre PSDB e governo, tucanos experientes dizem que será assim até 2010 por um motivo: dentro da sigla, já foi dada a partida para sucessão do presidente Lula.

O DEM sabe que diferenças de estratégia, assim como o vôo dos tucanos, miram 2010. E avalia que as idas e vindas que abriram caminho para o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, visitar Lula três semanas atrás são úteis para manter polarização com o PT e reforçar a imagem do partido como alternativa de poder.

“Quando se atira para todo lado, perde-se a nitidez, a clareza. Ficam no jogo do morde e sopra, o que só confunde o eleitor”, critica o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, ao saber que até o presidente do PSDB admitiu parceria com o PT.

Diante das críticas ao radicalismo do DEM, Maia diz que não é possível ser oposição pela metade. “Sou oposição e ponto. Fazemos oposição sem nenhuma saudade do poder.”

Líder do PSDB, o senador Arthur Virgílio assume as diferenças, referindo-se a Aécio e ao governador José Serra: “O PSDB não é franco atirador. Respondo pela liderança de um partido que tem dois presidenciáveis com chances reais de chegar ao poder”.

A movimentação do governador de Minas, que jantou com a cúpula do PMDB, na terça, foi entendida como recado de que é candidato a presidente. Aécio busca se contrapor à hegemonia paulista, que dá vantagem óbvia a Serra. E arma articulação ampla, que o leva da Paraíba de Cássio Cunha Lima (PSDB) ao Distrito Federal de José Roberto Arruda (DEM).

Não é por acaso que a governadora gaúcha, a tucana Yeda Crusius, prevê que um embate de gerações ocorrerá em breve no PSDB. Em 2010, Serra terá 64 anos e Aécio, 50.

Prevalece no PSDB entendimento de que Serra tem presença forte na cúpula, com história calcada em parcerias de política ideológica e relação de fidelidade. A aposta é que Serra largará na frente nas pesquisas eleitorais de 2009, porque já foi candidato e tem mais recall.

‘O DEM pode desaparecer’

O deputado Alceni Guerra, que tem assento na direção do DEM, diz que o problema do partido é grave. Está convencido de que a “grande performance” de Lula, que ensaia parceria com Estados Unidos no setor do agronegócio, pode liquidar a base ruralista do DEM. Pessimista, prevê: “O partido, que não tem eleitorado urbano nem vocação para o lado social, não ficará apenas encurralado. O DEM pode desaparecer”.

Segundo ele, a estrela de Lula é tamanha que o interesse do governo americano pelo biocombustível acena com a capitalização da classe média. “Se Lula viabilizar o agronegócio, os votos do setor vão nos faltar nas próximas eleições”, prevê.



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