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Domingo, 13 maio de 2007   edições anteriores
OPINIÃO
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  Democracia racial em aula

Sugestão de aula: Ensino Fundamental

MARIA REHDER, maria.rehder@grupoestado.com.br

A sociedade brasileira comemora hoje, 13 de maio, o Dia Oficial da Libertação dos Escravos, decretada pela Princesa Isabel em 1888. Aproveitando a simbologia de tal data, o JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE-USP), coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, convida a comunidade educativa a ressignificar essa celebração, discutindo a denominada “democracia racial” no Brasil. O 13 de maio, na verdade, é um dia dedicado a perguntas como: será que todos os grupos étnicos/raciais possuem as mesmas oportunidades sociais em nosso país? Ou, ainda, como os meios de comunicação trabalham os temas relacionados à população negra em suas produções?

Essa sugestão de aula - elaborada por Rafael Ferreira Silva, educomunicador do NCE-USP, com licenciatura em História pela USP - é especialmente indicada às escolas que passaram pela capacitação oferecida pelo Projeto Educom.rádio.

Para dar início a atividade é necessário que o professor assista ao filme A Negação do Brasil e leia a entrevista que a TVE do Rio de Janeiro fez com o pesquisador e cineasta Joel Zito Araújo, autor do documentário, disponível pelo site.

INTRODUÇÃO

É de supor que a televisão, na condição de meio de comunicação de massa numa sociedade aberta e democrática, esteja traduzindo, em suas imagens, a representação dos grupos sociais. Nesse sentido, os vários interesses e setores da sociedade, assim como os diversos grupos étnicos - negros, indígenas, orientais e brancos - estariam sendo representados na televisão de forma pluralista e democrática. Esta, contudo, não parece ser a opinião de especialistas como Joel Zito Araújo. E sua comunidade educativa, o que acha a respeito deste tema?

MATERIAIS

1) O filme A Negação do Brasil, de Joel Zito Araújo; 2) texto da entrevista da TVE do Rio de Janeiro com Joel Zito Araújo; 3) gravação em videocassete ou formato digital de um programa de televisão; 4) gravador de mão, fita cassete, pilha; 5) caixa de som para o pátio

OBJETIVO

Fazer com que os alunos reflitam sobre a imagem do negro criada pela mídia, por meio da identificação de estereótipos, “pré-conceitos” e representações positivas e negativas que circulam na TV, atuando, por sua vez, como espelho do imaginário produzido em diversos espaços sociais, tais como a família, a religião, o clube de lazer e o esporte.

Outro objetivo é auxiliar o professor a explorar o mundo imagético e as representações sociais da criança e do adolescente, a partir do estudo da recepção do conteúdo da TV voltada para o tema étnico-racial.

É neste contexto que o professor deve oferecer sugestões para desenvolver uma visão mais crítica dos adolescentes quanto à utilização da imagem da população afrodescendente em programas de TV, como as telenovelas, os telejornais e as propagandas. Ou seja, convidar os estudantes tanto a identificar sua auto-representação na mídia quanto a perguntar-se sobre a presença, ou não, no trabalho da mídia brasileira, de uma perspectiva multiculturalista no tratamento do tema das diferenças raciais.

DESENVOLVIMENTO

1ª aula: usando o material disponível na biblioteca da escola, proponha a seus alunos uma pesquisa que ressalte os aspectos históricos relativos à vinda dos africanos ao Brasil e a trajetória dos afrodescendentes em nosso país ao longo dos últimos séculos.

Para tornar mais eficiente o levantamento de dados, divida os alunos em grupos, sorteando, para cada um, um aspecto específico a considerar, como: cultura, religião, economia, arte, alimentação, vestimenta. Peça a cada grupo que prepare uma apresentação criativa sobre os resultados colhidos, usando, por exemplo, poesias, músicas ou representações teatrais. Após as apresentações, destaque , na lousa, os tópicos de maior relevância.

2ª aula: exiba em sala de aula o filme A Negação do Brasil, alugado numa locadora. Caso não encontre o filme disponível, leve o texto da entrevista que a TVE do Rio de Janeiro fez com Joel Zito Araújo, autor do documentário (ver endereço na introdução desta proposta). Após as discussões, destaque, novamente, na lousa, os tópicos de maior relevância, buscando fazer uma comparação entre os resultados do debate e as conclusões obtidas anteriormente.

3ª aula: leve para a sala de aula a gravação de um programa da rede aberta de televisão (em VHS, através do videocassete ou em formato digital) que contenha personagens afrodescendentes que representem diferentes papéis. Os programas podem ser um trecho de novela, um comercial, um bloco de um telejornal, um desenho animado. Dez minutos de gravação são suficientes. A partir da exibição, fomente uma conversa entre os alunos divididos em pequenos grupos, solicitando que - levando em conta os exercícios elaborados nas aulas anteriores - observem as formas como a TV trabalha as características multirraciais da população representada nos produtos mostrados. Ao final, peça para os grupos elaborarem uma redação com os pontos relevantes da discussão.

4ª aula: solicite que os alunos façam um levantamento no entorno e dentro da escola de como se dá a questão das diferenças raciais. A partir deste levantamento peça que os grupos construam uma história que relate o resultado da sua pesquisa para que na quinta aula construam um roteiro de programa radiofônico.

5ª aula: construção do programa de rádio:1) escolher o gênero radiofônico (jornalístico, musical, ficcional); 2) escolher o formato (reportagem, radionovela, documentário); 3) montar roteiro detalhando entrada do locutor, da vinheta, do spot e dos recursos sonoros; 4) produzir os programas de cada grupo por meio do gravador de mão em fita cassete; 5) apresentar os programas de todos os grupos em sala de aula para avaliação dos próprios alunos.

MULTIPLICANDO

Escolher os melhores programas e solicitar que a direção da escola os execute no horário do intervalo para que toda a comunidade escolar possa ouvi-los, por meio das caixas de som instaladas no pátio.

Equipe educomunicativa: Izabel Leão, Carmen Gattás e Luci Melo



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