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Construção sustentável em foco
Impacto da construção civil no meio ambiente preocupa especialistas
Luanda Nera, luanda.nera@grupoestado.com.br
A pesquisa de materiais sustentáveis para a construção civil e o uso de resíduos como matéria-prima foram temas de uma das oficinas ocorridas durante o 2o Congresso Ibero-Americano de Desenvolvimento Sustentável, realizado em São Paulo.
Especialistas no assunto como o professor Vanderley John, da Escola Politécnica da USP, e Laura Valente, do Iclei - Governos locais pela sustentabilidade, apresentaram os números que justificam a preocupação com a tomada de medidas sustentáveis no segmento.
“As cidades são produtos da construção e, por isso mesmo, são as vilãs no processo de aquecimento global. A cadeia produtiva da construção consome até 75% dos recursos naturais, que estão se esgotando. Falta areia, argila, pinho. Está insustentável”, alerta o professor, que coordenador geral da Conferência Latino-Americana de Construção Sustentável.
Ele promoveu uma reflexão sobre temas fundamentais na atualidade, como otimização de fontes energéticas, monitoramento do consumo de água, gestão de resíduos da construção e utilização de conteúdo reciclado. Entre as vantagens do modelo de construção sustentável estão o incentivo à pesquisa de novas tecnologias, formação e capacitação de recursos humanos, mudanças na cultura e na legislação do setor, e capacidade para integrar diversos aspectos da cadeia de construção.
John também chamou atenção para a responsabilidade dos moradores das grandes cidades por grandes impactos ambientais, como o desmatamento: “O mercado consumidor estimula os crimes ambientais. Só há venda ilegal porque há compradores.”Na opinião do professor, a tendência é que a situação se agrave com o crescimento esperado para todo o setor da construção civil: “O cimento é o produto que mais contribui para os gases de efeito estufa no Brasil. Por isso a conscientização é tão importante”.
Vanderley John criticou ainda a urbanização descontrolada e mal planejada, que leva ao desperdício dos recursos e à péssima qualidade de vida: “As favelas não são habitações sustentáveis. Investir em casas populares sem levar em consideração os aspectos sociais e ambientais é jogar dinheiro fora”.
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