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O ensino empreendedor
Hilsdorf diz que os jovens precisam da ajuda da escola para se tornarem mais que técnicos
Bartira Betini, bartira.betini@grupoestado.com.br
Mudar a escola passa por mudar o professor. E para mudar o professor, não basta buscar novas formas de ensinar. É preciso provocar uma verdadeira mudança de atitude. Essa é a posição do economista Carlos Hilsdorf, pós-Graduado em Marketing pela FGV, consultor de empresas e pesquisador do comportamento humano. Ele defende que a escola ajude o aluno a ter ações empreendedoras. Na palestra 'A educação na era do empreendedorismo', que ele fará na quinta-feira, 1º dia do Congresso Internacional de Educação Educador/Feira Educar 2007, no Expo Center Norte, em São Paulo, ele abordará questões positivas para formar pessoas empreendedoras e ações como inclusão digital e educação emocional, assuntos que ele também trata no seu livro 'Atitudes Vencedoras'.
JT: Quais as mudanças mais significantes da educação nos últimos anos?
Hilsdorf: A primeira e mais importante é a profunda diferença na orientação da educação, que transita de um período em que esteve engessada em uma postura informativa para uma postura mais formativa, focada justamente na construção de conhecimento relevante para o modelo de mundo em que estamos vivendo. Além de fornecer informação e ajudar a estruturar o conhecimento através do desenvolvimento do senso crítico do aluno, a educação tem uma meta magna: preparar para a vida! E a relação professor-aluno continua e continuará sendo a base de todo processo efetivo de construção de conhecimento relevante. A tecnologia não elimina o aspecto humano da educação, pelo contrário, lhe amplia as possibilidades.
JT: Os professores precisam ensinar diferente hoje? De que forma?
Hilsdorf: Torna-se imprescindível tratar a educação como um ser vivo, que evolui e precisa se adaptar a diferentes situações. Assim, gerações diferentes demandam por planejamentos de aula diferentes, interações diferenciadas e dinâmicas de aula apropriadas às suas particularidades. Claro que isto não invalida as grandes teorias pedagógicas e todo o seu instrumental, mas, no mínimo, pede um upgrade na forma como este universo de possibilidades será utilizado nos dias atuais.
JT: Em suas palestras o senhor afirma que estamos formando técnicos em um mundo que demanda por empreendedores. Por que tal afirmação? E como isso deve ser mudado?
Hilsdorf: Tanto nos cursos de caráter técnico quanto nos bacharelados ainda impera uma visão muito 'tecnicista' dentro da área de formação. Para formar empreendedores as escolas em todos os níveis precisam olhar de maneira mais ampla para o ser humano. O técnico só precisa dominar a técnica, o empreendedor precisa aprender a dominar e a vencer a si próprio e as características muito particulares do comportamento humano diante das dificuldades. Empreender é difícil por definição e, portanto, o indivíduo empreendedor precisará de conhecimentos práticos sobre si mesmo e sobre como vai enfrentar o confronto entre o seu perfil e a realidade.
JT: O cidadão empreendedor é uma conseqüência do que ele aprende em sala de aula? Explique, por favor.
Hilsdorf: A pessoa empreendedora não é conseqüência direta apenas do que ela aprende em sala de aula, até porque a educação não se processa apenas na escola. Família e sociedade desempenham papel crucial, porém, o que ele aprende em sala de aula gera conseqüências e repercussões muito importantes na formação do conjunto de competências e habilidades que favorecerão o seu empreendedorismo.
JT: Como o professor pode despertar no aluno o espírito empreendedor?
Hilsdorf: Empreender é aprender a fazer o que é difícil, aprender a fazer as coisas acontecerem em meio às dificuldades e obstáculos. Professores precisam ser referências para seus alunos. Os alunos não se tornarão empreendedores apenas com exemplos teóricos, precisarão também de exemplos concretos que os ajudem a exercitar a teoria.
JT: E a família, pode ajudar nesse processo? Como?
Hilsdorf: Os familiares precisam introduzir gradualmente as pessoas desde a infância no contato com questões práticas da vida. Um dos segredos das comunidades judaicas consistiu em ensinar os filhos a valorizar o caráter, o tempo, o trabalho, as oportunidades e o dinheiro. É um exemplo de quanto os valores são importantes na formação. Crianças que aprendem cedo o valor do trabalho e o mecanismo do dinheiro têm mais chances de êxito.
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