| |
Aloísio que ninguém derruba
Atacante ficou 16 jogos em marcar, mas não perdeu lugar no time
ALFREDO LUIZ FILHO, alfredo.filho@grupoestado.com.br
Qual atacante consegue ficar 16 jogos sem marcar um golzinho sequer e mesmo assim ouvir a torcida gritando seu nome cada vez mais alto a cada nova partida? Aloísio sabe muito bem o que é isso. E pode se sentir um privilegiado. Mesmo amargando um período de quase três meses de jejum sem balançar as redes adversárias, o atacante de 1,88m e 86kg nunca teve sua vaga como titular ameaçada no ataque do São Paulo. E graças ao técnico Muricy Ramalho, que agüentou a chiadeira geral e bancou a permanência do alagoano na equipe.
“Agradeço muito ao Muricy. Ele sempre me apoiou e disse que confiava no meu futebol. Não estava fazendo gols, mas vinha ajudando o time. Mas felizmente a bola voltou a entrar e agora estou mais tranqüilo”, diz.
O jejum acabou, enfim, no jogo passado. De cabeça, o grandalhão marcou o segundo gol no empate por 2 a 2 contra o Audax Italiano, que acabou sendo fundamental para classificar o Tricolor nas oitavas-de-final da Copa Libertadores da América.
“Esse foi um dos lados positivos daquele jogo e quase ninguém lembrou disso. Preferiram contestar nossa classificação. Mas o gol do Aloísio foi importantíssimo pelo momento em que veio. Eu sabia que uma hora a bola tinha que entrar. Não é possível. E o melhor: agora, ele pode deslanchar”, avisa o técnico Muricy Ramalho.
Contra o Grêmio, quarta-feira à noite, no Morumbi, no primeiro clássico brasileiro do torneio, o chefe tem certeza que o grandalhão será mais uma vez fundamental para o Tricolor. Seja com gols, seja com passes decisivos. Por isso, o São Paulo é Aloísio e mais 10.
“Falei pra ele: enquanto você estiver lutando dentro de campo, dando passes, fazendo o que eu peço, não vou tirá-lo. E foi o que fiz porque ele é mesmo muito importante. Não dá sossego para os zagueiros, faz o pivô...”, lembra.
Em pouco mais de um ano, Aloísio conquistou pra valer a confiança da torcida. Mesmo durante o período em que ficou sem marcar. Afinal, a gratidão com ele será eterna pelo passe perfeito para o gol de Mineiro no título mundial, em 2005, contra o Liverpool. A raça que mostra em campo correndo de um lado para outro, tentando marcar a saída de bola do adversário, também contagia os são-paulinos.
Ele é um jogador que funciona tão bem dentro do grupo, que as vezes até se esquece que está ali para fazer gols e não para só colocar os companheiros na cara do gol, mesmo que para isso deixe de arriscar um chute. Talvez seja por isso que em 62 partidas com a camisa 14, ele tenha marcado 14 gols - quatro nesta temporada.
E justamente por não arriscar que as cobranças surgiram durante esses quase três meses sem gols. “Claro que atacante vive de gols e quando não acontece surgem as cobranças. Só que eu não posso ver as coisas na base da emoção, com o coração, como o torcedor faz. Tenho que agir com razão. E eu avisei pra ele continuar jogando porque eu segurava qualquer onda”, explica Muricy.
Mas no treino de sábado, porém, Aloísio mostrou que o pé está calibrado para ajudar o Tricolor contra o Grêmio com gols! O atacante só não sabe se terá um novo companheiro de ataque.
|