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O menino do Rio cansou
Ninguém no Corinthians quer a permanência de Roger
COSME RÍMOLI, cosme.rimoli@grupoestado.com.br
Entre os jogadores é conhecido como “Menino do Rio” por causa da paixão pela praia e as namoradas bonitas e famosas. Entre a direção da Gaviões da Fiel tem outro apelido: “Chinelinho” por causa dos seus períodos de afastamento do time.
Isolado nas concentrações, prefere ler e ficar no celular a conversas com os companheiros. Foge das entrevistas sempre que pode. Freqüenta mais colunas sociais em shows e festas do que páginas esportivas. Os próprios jogadores o sentem triste, desanimado no Parque São Jorge.
Aos 28 anos, maior salário do clube, cerca de R$ 200 mil, Roger deixou há muito tempo de ser unanimidade no Corinthians. Muito pelo contrário. O último ‘galáctico’ da MSI só continua porque seu contrato terminará apenas em dezembro de 2008.
“Eu quero continuar no clube . Sou muito feliz em São Paulo”, disse, sem convicção, o meia depois de mais uma confusão que se meteu quando se recusou a treinar após a primeira partida contra o Náutico. E foi multado em R$ 40 mil, 20% do seu salário.
Quando jurou ser ‘feliz em São Paulo”, Roger estava no Rio de Janeiro, para onde vai em quase todas as folgas. Na última viagem, inclusive, ele viajou sozinho, sem a delegação que saiu de Pernambuco e veio para São Paulo. Como desculpa à diretoria disse que iria pegar a carta de motorista.
“Ele tem de saber o que quer da vida”, avisa, irritado, Carpegiani.
“O Roger é um grande jogador que acabou contaminado pela bagunça que virou o futebol do Corinthians depois dessa péssima parceria que fizemos com a MSI”, resume o presidente do Conselho de Orientação e Fiscalização do Corinthians, Roque Citadini.
A ‘contaminação’ que Citadini se refere é complexa. Roger está deslocado no atual Corinthians.
Quando foi contratado por Kia Joorabchian em 2005 junto ao Benfica, a promessa era que ele jogaria no melhor e mais rico time brasileiro. As conquistas, o dinheiro fácil e até a chance de ser membro efetivo da Seleção Brasileira estavam implícitos.
Só que a parceria implodiu e os jogadores que tiveram boas propostas seguiram o seu caminho como Tevez, Mascherano, Carlos Alberto, Gustavo Nery.
Roger só não foi negociado por Kia porque teve o seu passe vinculado integralmente ao Corinthians . A diretoria do Benfica exigiu a liberação do zagueiro Anderson que pertencia ao clube de Alberto Dualib antes da parceria. Na prática, houve uma troca.
A carreira no Corinthians é instável e decadente. Nem as contusões justificam. Ele que chegou com status de grande estrela foi caindo em descrédito com o passar do tempo. Esteve longe das convocações da Seleção.
E acabou na reserva de Carlos Alberto, Elton, William e até do improvisado Gustavo Nery. Passarela, Antônio Lopes, Geninho e até Leão se mostraram decepcionados.Como a diretoria e os torcedores.
Que o diga um ladrão que o assaltou na semana passada junto com Nilmar. O bandido roubou e se queixou ao assustado Roger: “Vê se joga mais no Timão.”
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