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Quinta-feira, 26 abril de 2007   edições anteriores
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  Nota vermelha para a Educação

Números mostram que a qualidade do Ensino Fundamental em São Paulo está baixa

BARTIRA BETINI e MARIA REHDER

Um total de 500 municípios dos 525 que oferecem Ensino Fundamental na rede estadual de 5ª a 8ª séries no Estado de São Paulo tem nota abaixo de 5. Esse dado faz parte do levantamento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que será divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação (MEC).

O Ideb leva em consideração dois fatores que interferem na qualidade do ensino: o rendimento escolar, por meio das taxas de aprovação, reprovação e abandono, e as médias de desempenho dos alunos nas avaliações nacionais - Saeb e Prova Brasil.

O Ideb será o indicador que o MEC usará para a verificar o cumprimento das metas fixadas no 'Compromisso Todos pela Educação', um dos itens do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).

Todos os municípios brasileiros receberam notas de 0 a 10 e as redes municipais e estaduais foram separadas e avaliadas, cada uma, de 1ª a 4ª e de 5ª a 8ª.

O baixo desempenho dos alunos de 5ª a 8ª séries também foi constatado na rede municipal paulista: das 158 cidades que oferecem ensino municipal nessa faixa, 152 receberam média abaixo de 5.

Ao avaliar os alunos da rede estadual do Estado de São Paulo de 1ª a 4ª, o Ideb constatou que 154 dos 236 municípios que oferecem esse tipo de ensino estão com nota vermelha. E na rede municipal são 345 de 481.

Para Carlos Ramiro, presidente da Apeoesp, os números não são uma surpresa. 'Pela infra-estrutura e condições de trabalho o resultado não podia ser outro. Uma das ações para mudar isso de imediato seria a criação do Sistema Único de Ensino, estadual e municipal, o aumento da carga horária, porque o aluno hoje fica pouco tempo na escola, e a participação da sociedade no contexto escolar', acredita.

O Ideb para a rede pública deixa o Estado de São Paulo em segundo lugar, com 4,5, atrás apenas de Minas Gerais (4,6), quando levado em consideração o desempenho dos alunos de 1ª a 4ª. Já de 5ª a 8ª, a média paulista foi 3,8, perdendo apenas para Santa Catarina, que ficou em primeiro lugar com 4,1.

A secretária Estadual de Educação, Maria Lúcia Vasconcelos, não quis comentar os dados. A Assessoria de Imprensa da secretaria afirmou que ela só falará do assunto depois que tiver a pesquisa completa em mãos.

Maria do Pilar Lacerda, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), diz que o baixo desempenho é uma constatação de que há uma dificuldade de saber o que é escola de qualidade. 'Além de receber a todos, a escola precisa ensinar a todos. Acredito que estamos no caminho certo, porque sabemos o que precisa melhorar e o que devemos fazer: investir no professor, no salário e na qualificação; na alfabetização e na Educação Infantil.'

Brasil em baixa

A média nacional é baixa e por isso São Paulo sai na frente. Entre os alunos avaliados de 1ª a 4ª série, da rede estadual, a média brasileira ficou em 3,9, e de 5ª a 8ª, 3,3. Já na rede municipal, a média dos municípios brasileiros ficou em 3,4, de 1ª a 4ª e 3,1, de 5ª a 8ª.

Mozart Neves Ramos, diretor-executivo da ONG Todos pela Educação e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) acredita nos resultados do Ideb como alicerce para dobrar o nível de esforço dos governantes. 'O País se preocupou na década de 90 em colocar todas as crianças na escola, no Ensino Fundamental, mas parece que esqueceu de preparar o conteúdo e os professores para receberem essa demanda. É necessário investir em quem está dentro da sala de aula e cobrar resultados.'

Mozart ressalta ainda que o pouco investimento em Educação continua sendo um problema brasileiro e acredita no PDE para mudar essa realidade. 'Hoje o Brasil investe US$ 944 dólares em cada aluno da Educação Básica por ano. Enquanto isso, países como a Argentina, o Chile e o México destinam mais que o dobro.



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