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Sábado, 21 abril de 2007   edições anteriores
POLÍTICA
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  Ameaça de 'divórcio' na oposição

Ex-senador vira porta-voz da possibilidade de divórcio. Mas dirigentes do ex-PFL evitam criticar colega tucano

Em mais um sinal de tensão entre os partidos da oposição, caciques do Democratas (ex-PFL) criticaram o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, por ter ido ao Palácio do Planalto para um encontro com o presidente Lula. “Que oposição é essa?”, reclamou o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (DEM).

O presidente de honra do DEM, ex-senador catarinense Jorge Bornhausen, também não gostou: “O País não vive nenhuma crise que justifique a ida do presidente de um partido de oposição à Presidência da República”.
Ele classificou de “inoportuna” a visita, ocorrida anteontem - quando Lula conseguiu de Tasso o compromisso de que a oposição não vai “xingar, gritar ou ameaçar” o governo nas CPIs para investigar a crise no setor aéreo.

Para Bornhausen, o DEM e os tucanos representam 40% dos eleitores, que votaram no candidato do PSDB a presidente, o ex-governador Geraldo Alckmin. “Esses eleitores desejam uma oposição responsável e fiscalizadora que jamais seja subserviente e adesista”, disparou.

“O encontro foi agendado de última hora”, diz César Maia, em seu blog. Para ele, uma reunião entre o chefe de governo e presidente de partido da oposição deveria ter pauta definida e tornada pública.
“Parece que num cafezinho, a líder do governo (Roseana Sarney) teve uma boa idéia e combinou o encontro”, afirma Maia. “E o presidente do PSDB topou antes do cafezinho terminar.”

Preocupado com o racha na oposição, Bornhausen se tornou espécie de porta-voz oficioso do processo de divórcio que envolve seu partido e o PSDB. Mas outros líderes do DEM evitaram criticar o colega tucano, por entenderem que atrito entre partidos da oposição só interessa ao governo.

“Tasso deve ter tido razões pessoais ou político-partidárias para ir lá”, disse o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN).

Para o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (que é filho do prefeito do Rio), o fator determinante para Tasso ter aceitado o convite é o PSDB ter 6 governadores. “É uma necessidade de diálogo que eles têm com o Planalto, no início do governo”, alegou.
Ele e Agripino, porém, se aliam a Bornhausen ao garantir que seu partido não têm intenção de seguir Tasso e aceitar eventual convite para conversar com Lula. “Nós não temos razão nenhuma para fazer o mesmo”, frisou Agripino.

Para Rodrigo, “não é produtivo para o DEM ir ao presidente tomar um cafezinho”. Ele reafirma que o DEM e PSDB mantêm “o mesmo objetivo de derrotar o presidente Lula” em 2010. “Cabe aos filiados do PSDB fazer o julgamento sobre a decisão de Tasso, e não a nós.”

Ontem em visita a São João da Boa Vista, o governador José Serra (PSDB) considerou normal o diálogo e o encontro entre o presidente de seu partido e Lula. “Não houve compromissos. Ele (Tasso) foi convidado pelo presidente da República, compareceu como senador, como presidente do PSDB, e dialogou”, disse Serra, que também esteve com Lula esta semana. “Isso é normal dentro de uma democracia, entre governo e oposição. E não vai além disso.”

FRASE

'Que oposição é essa?”
CESAR MAIA (DEM, EX-PFL), PREFEITO DO RIO DE JANEIRO, QUE CRITICOU O ENCONTRO DO TUCANO TASSO COM LULA



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