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Sábado, 21 abril de 2007   edições anteriores
OPINIÃO
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Alunos da Emef Antonio Carlos de Abreu Sodré, na região de Interlagos, utilizam artes para debater aquecimento global

MARIA REHDER, maria.rehder@grupoestado.com.br

Professores com mais de dez anos de casa, reuniões de pais e mestres lotadas e alunos engajados em causas nobres como a sensibilização da comunidade local para o aquecimento global. Essas são algumas das características da Emef Antonio Carlos de Abreu Sodré, que atende alunos de 1ª a 8ª série na região de Interlagos, Zona Sul. O segredo do sucesso: professores comprometidos com a oferta de um ensino de qualidade, um Conselho de Escola ativo e uma gestão escolar democrática.

Segundo Fellipe Moreira, 14 anos, aluno da 8ª série, o ensino da escola é de qualidade. “É difícil faltar professor e eles não pedem para a gente ficar copiando as coisas, mas fazem a gente pensar.”

Para Joyce Santos, professora de matemática que dá aulas há 13 anos na Emef Antonio Carlos de Abreu Sodré, o que a mantém no cargo é a liberdade de atuação pedagógica. “Temos um grupo antigo de professores que está aqui há mais de dez anos e leva a escola a sério. É lógico que gostaria que a nossa quadra fosse coberta, o que impediria que o barulho dali chegasse às salas de aula, mas não é este tipo de coisa que nos impede de fazer a nossa parte. Aqui, se alguém tem de faltar, avisa com antecedência e deixa material para os substitutos”, explica a professora.

A coordenadora pedagógica Lilian Pastori, que é ex-aluna da escola e trabalha ali há mais de dez anos, confirma que, mesmo se falta professor, o aluno não fica sem aula. “Os professores são comprometidos com a oferta de bom ensino.”

Aquecimento global

A professora de artes Mara Sarmento, que atua há 15 anos na Emef Antonio Carlos de Abreu Sodré, há 5 anos criou o projeto Monitoria de Artes. A cada início de ano letivo, 25 alunos de 7ª e 8ª séries são escolhidos para receberem capacitação em artes com o intuito de organizar eventos na escola e promover oficinas para a comunidade e demais alunos. “Os estudantes levam muito a sério o projeto e melhoram sua auto-estima”, avalia a professora.

Sônia Matos, professora de ciências que atua na Emef há 14 anos, conta que o tema do ano é aquecimento global. “Os alunos da Monitoria de Artes já iniciaram pesquisas sobre o tema e agora estão elaborando uma peça de teatro.”

Os alunos do grupo de monitoria também tentaram fazer um mutirão de limpeza no bairro, mas não conseguiram: os moradores locais desistiram alegando falta de tempo e outros motivos. “Mas continuaremos tentando”, diz Gean Ramos, aluno da 8ª série que, segundo as professoras, ao participar do projeto, apresentou melhoras significativas de comportamento.

FATORES QUE FAZEM TODA A DIFERENÇA

A maioria dos professores da Emef Antonio Carlos de Abreu Sodré atua ali há mais de cinco anos, o que garante a continuidade do projeto pedagógico

O Conselho de Escola funciona. Pais e alunos têm voz ativa

Segundo os alunos, os professores faltam pouco e, quando eles sabem com antecedência que vão se ausentar, deixam material para o substituto

A equipe pedagógica dá liberdade para que os professores desenvolvam seus projetos, a gestão é democrática



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