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O Jahu é do povo
SECRETÁRIA DE CULTURA E TURISMO DE JAÚ/SP
Lucy Rossi
Em 28 de abril de 1927, aterrissa em águas brasileiras, a bordo do hidroavião Jahu, o jauense João Ribeiro de Barros - pioneiro na travessia do Atlântico sem escalas. Oitenta anos se passaram. Após longo período jogado às traças, o Jahu está restaurado. Mas, apesar do trabalho primoroso do empresário João Velloso, do Helipark, o último exemplar Savoia-Marchetti S-55 do mundo tem destino incerto.
Patrimônio histórico e cultural tombado pelo Condephaat, o hidroavião, que está sob a guarda da Fundação Santos Dumont, virou alvo de disputa entre a TAM Linhas Aéreas e a cidade natal do aviador. Enquanto a TAM cobiça o modelo para completar seu museu particular, a prefeitura de Jaú, com apoio de familiares do aviador, batalha para construir um museu em memória ao conterrâneo famoso.
Para nossa cidade, o hidroavião não é apenas uma peça de museu. Ele representa a garra e a coragem de um brasileiro. O que está em jogo, portanto, não é seu valor monetário, mas sua relevância histórica, cultural e social.
A exemplo de Bilbao, na Espanha, que ganhou projeção graças ao museu Guggenheim, considerando-se as devidas proporções, Jaú pretende, com o museu João Ribeiro de Barros, apostar no conceito de Indústria Criativa, ligado à geração de idéias e entretenimento. Um negócio que cresce 15% ao ano e representa 8% do PIB mundial, gerando empregos, divisas e, sobretudo, repertório histórico e cultural às futuras gerações.
Repetindo a saga do conterrâneo audaz, que quebrou paradigmas em nome da aviação nacional, Jaú vai perseguir até o fim o direito legítimo de abrigar esse importante patrimônio - prova da coragem e da ousadia do povo brasileiro.
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