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Sábado, 21 abril de 2007   edições anteriores
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  É para se tornar herói

Dois jovens goleiros, Luiz, do São Caetano, e Felipe, do Bragantino, são destaque nos semifinalistas ‘intrusos’

Bruno Winckler e Guilherme Carvalho

O primeiro passo para São Caetano e Bragantino acabarem com o favoritismo de São Paulo e Santos e conseguirem a vaga para as finais do Paulistão passa pelas mãos de seus dois jovens goleiros. Se Luiz e Felipe repetirem as atuações da semana passada, os dois “intrusos” do interior têm boas chances de chegar à finalíssima do Paulista.

Felipe brilhou no sábado passado, no Pacaembu, ao ajudar o Braga a segurar um empate por 0 a 0 com o poderoso Santos de Vanderlei Luxemburgo. “Estou em um bom momento. O melhor da minha carreira”, acredita o goleiro de 23 anos .

Um dia depois, no mesmo estádio, foi Luiz quem fechou o gol do São Caetano contra o São Paulo. A atuação do goleiro de 24 anos impediu o Azulão de levar uma goleada. E hoje ele quer repetir a dose. “Chegar numa decisão contra um grande clube como o São Paulo é sonho de qualquer jogador. Espero me sair bem de novo, mas dessa vez com uma vitória”.

Mas foi em uma partida com bem menos visibilidade que Luiz despontou na carreira. Foi em 2002, em um jogo treino contra o Palmeiras, no CT da Barra Funda. Luiz vestia a camisa 1 do Mirassol, seu primeiro clube. Graças a uma atuação tão boa como a de domingo passado, ele despertou o interesse de olheiros do São Caetano.

As conversas dele com seu atual clube iniciaram-se ali mesmo. Saiu da pouca visibilidade do Mirassol para assinar com o Azulão até o fim de 2007. “A gente traça nosso caminho nessas atuações contra grandes equipes. Foi assim no jogo treino contra o Palmeiras e posso crescer mais ainda se repetir a dose contra o São Paulo nessa semifinal”, assegura, já com contrato renovado até dezembro de 2008.

Luiz foi muito paciente ao longo de seus quatro anos no clube. Esperou sua chance e agora não quer largar o osso. Foram longos três anos como reserva de Silvio Luiz. Quando o titular foi contratado pelo Corinthians em 2006, virou o camisa 1.

Mas não foi fácil. Luiz foi titular por 10 jogos no Campeonato Brasileiro do ano passado, mas não conseguiu se manter titular. A culpa teria sido de Emerson Leão. “Ele optou pelo Mauro (ex-Santos)”, lembra. “Fiquei chateado, mas nunca abaixei a cabeça”, diz o goleiro, que jura fidelidade ao São Caetano e diz que nunca pensou em buscar um outro clube nem em parar de treinar quando voltou para o banco. “O único prejudicado seria eu.”

Leão foi embora, Dorival Júnior chegou e a nova oportunidade veio no Paulistão. O goleiro foi o titular das 20 partidas até aqui. E continuará. “Enquanto ele estiver bem, será meu titular”, garante Dorival Júnior, satisfeito com a performance do jogador.

Apesar de não ter mais nenhum amigo no time do Mirassol, Luiz acompanha a trajetória do antigo clube na Série A-2 do Paulistão e torce pelo time na busca por uma vaga na elite paulista de 2008. “Foi lá que comecei e quero ver o clube bem. Torço para que consigam a classificação”.

Xará do colega do São Caetano, Luiz Felipe Ventura dos Santos, do Bragantino, teve uma trajetória bem mais conturbada. Natural do Rio de Janeiro, Felipe, como é conhecido, começou sua carreira nas categorias de base do Vitória, da Bahia, onde se destacou e chegou a ser convocado diversas vezes para as Seleções Brasileiras Sub-15 e Sub-16.

No início, houve quem o comparasse com o pentacampeão Dida. “Começamos no mesmo clube e também jogamos nas seleções de base. Também temos uma certa semelhança física por causa da cor. Isso tudo gerou muitas comparações, mas se eu ganhar metade do que ele conquistou já fico feliz”, explica .

Mas as semelhanças pararam por aí. Enquanto Dida foi do Vitória para Cruzeiro, Corinthians e Milan, Felipe saiu escorraçado do time baiano e teve de suar para conseguir um time para jogar. Tudo por causa de uma atuação infeliz no jogo que decretou o rebaixamento do Vitória à Série C do Brasileirão, em 2005 - 3 a 3 contra a Portuguesa.

“Depois daquele jogo o Paulo Carneiro (então presidente do Vitória) me chamou de ‘macaco’ e me acusou de ter me vendido para a Portuguesa por R$ 5 mil. Ele ainda me atrapalhou bastante, convencendo outros clubes a não me contratarem”, conta o goleiro, que está processando o dirigente. “Foi um momento muito difícil para mim.”

Após várias tentativas, Felipe finalmente encontrou um clube: o São Caetano. Sem oportunidade para jogar, preferiu ir para o Bragantino, onde a carreira recomeçou.

As boas atuações no Paulistão, despertaram o interesse do Corinthians. “Seria uma honra jogar no Corinthians” , diz Felipe. E as comparações com Dida voltaram.



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