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Hoje é dia de rock do bem
O quarteto inglês, o maior nome do rock na atualidade, faz três shows em SP com ingressos esgotados
MARCO BEZZI, marco.bezzi@grupoestado.com.br
Quando assistimos a uma partida de futebol e prestamos atenção às estatísticas do intervalo, sempre desconfiamos se os números realmente refletem o que foi o jogo, certo? Mas se transportarmos o mesmo raciocínio para o mundo do rock, podemos constatar que os números que o Coldplay vem ostentando nos últimos anos não deixam dúvida: o grupo liderado pelo sensível Chris Martin é a maior banda do mundo na atualidade.
O frenesi que as três apresentações do quarteto inglês causaram no público paulistano - resultando no incrível recorde de ingressos esgotados em apenas 48 horas, a preços bem salgados - é apenas um dos vértices dessa intrincada peça. X&Y, último lançamento da banda, foi o CD mais vendido de 2005 com 8,3 milhões de cópias em todo o mundo. Bateu nomes como Black Eyed Peas e Green Day, os preferidos dos adolescentes - os principais consumidores do mercado.
O Coldplay chegou ao número 1 em 28 países e já soma mais de 20 milhões de cópias vendias se somados seus três discos (Parachutes, de 2000, A Rush of Blood To the Head, de 2002, e X&Y). O quarteto que sempre carregou a alcunha de 'novo U2', hoje pode se colocar lado a lado com a turma de Bono.
Desculpa pelos ingressos
Os preços dos ingressos para as apresentações na América Latina, que chegaram a custar US$ 160 (aqui no Brasil eles variam entre R$ 150 e R$ 400), não assustaram os fãs - que tanto aqui como no Chile e Argentina os compraram sem dó -, mas deixaram Chris Martin em uma saia justa no Chile, onde se apresentou há duas semanas.
'Acabamos e descobrir como os ingressos estão caros e queremos pedir desculpas. Quando você toca numa banda famosa, muito do que acontece não chega aos seus ouvidos', disse o vocalista. O grupo chegou a sortear ingressos para os shows na América Latina em seu site oficial.
Na Argentina, Martin deixou a coletiva de imprensa no meio: irritou-se com as comparações que jornalistas fizeram com a banda Echo & the Bunnymen e com as supostas críticas do shows realizados no Chile. Se tudo parece confuso na segunda vinda da banda ao continente (o Coldplay veio ao Brasil pela primeira vez em setembro de 2003 na turnê do CD A Rush of Blood To the Head), vale lembrar que foi a própria banda que exigiu de seus empresários a turnê por aqui.
Do lado das boas notícias, as especulações que colocavam como certa a adição das novas músicas que estão sendo produzidas para o próximo disco do grupo (com produção de Brian Eno e previsto para sair no final deste ano) nos shows de São Paulo, caíram por terra quando nos shows do Chile e Argentina o Coldplay apresentou 'apenas' seus maiores hits.
Sensíveis, engajados socialmente e ícones de uma nova geração - mais preocupada em fazer o bem -, o Coldplay realiza a partir de hoje em São Paulo um show bem menor dos que está acostumado a fazer - mas apenas no quesito capacidade (2.700 lugares por noite). Gritos histéricos, marmanjos chorando nos ombros das namoradas e casais disparando câmeras digitais... todos esses gestos deixarão bem claro que tipo de show os sortudos que adquiriram os poucos ingressos estarão assistindo no Via Funchal: o da maior banda do mundo.
O LÍDER DA BANDA
O vocalista Chris Martin: vegetariano e sexy aos 30 CASADO COM A ATRIZ GWYNETH PALTROW E PAI DE APPLE (MAÇÃ) E MOSES (MOISÉS)
Nascido em Devon, Inglaterra, no dia 2 de março de 1977, o inglês “mais sensível do mundo do rock” tem como maior influência (acreditem) a banda a-ha. Martin é casado com a atriz Gwyneth Paltrow, com quem tem um casal de filhos: Apple Blythe Alison Martin, nascida em 14 de maio de 2004, e Moses Martin, nascido em 10 de abril de 2006.Chris ganhou o título de vegetariano mais sexy do mundo pela organização PETA em 2005. Em uma entrevista polêmica à revista inglesa ‘Q’, em 2001, Martin disse que só descobriu que não era gay quando fez 16 anos. Antes, disse que ‘tinha dúvidas’. Apesar de inglês, ele apóia os democratas nos Estados Unidos e fez campanha para o candidato à presidência John Kerry, em 2004.
Brasileiros com o 'DNA' Coldplay Artistas que fazem chorar
Sensíveis, carentes, barbudos. Artistas brasileiros também gostam de chorar. A nova safra carrega muito dos ensinamentos de Chris Martin. Selecionamos as mais 'lamuriosas'. Ouça e emocione-se com versos como 'quando acreditei que você me traria vida', 'tê-la junto a mim faria o tempo passar logo, mas percebi que não'... e por aí vai
VIOLINS A banda de Goiânia já tem três discos lançados. ‘Aurora Prisma’, de 2003, é sua obra-prima. “Meu riso esconde um mundo aflito; e joga pelo ar os sonhos que você guardou com carinho”. Chorei.
RÔMULO FRÓES Tristeza e melancolia explícitas são o mote do cantor de 34 anos. Fróes percorre caminhos que se encontram nas estradas da bossa nova e do samba. Para curtir com uma lágrima no rosto.
GRAM Imagine uma banda que em seu primeiro clipe tem desenhos de gatos (‘Você Pode Ir na Janela’). Para competir de igual com o Coldplay, o vocalista Sérgio Filho também toca piano ao vivo.
LOS HERMANOS Circo, Carnaval, amores perdidos. Os cariocas levaram os jovens da classe média a serem bem mais sentimentais. A ‘religião Los Hermanos’ assusta - assim como fez o Legião Urbana.
LUDOV A banda paulistana ganhou a maioria dos seus fãs na internet, a terra dos desiludidos no amor. São muitos sorrisos e letras que contemplam as infinitas belezas do nosso mundo terrestre.
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