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Corredores esquecidos
Vias exclusivas de ônibus exibem sinais do tempo
THALITA PIRES, , e DANIEL GONZALES
Três anos depois da sua inauguração, os corredores de ônibus exclusivos da Cidade, criados para dar mais velocidade aos veículos e conforto aos passageiros, sofrem com o abandono. Antigamente chamados de 'Passa-Rápido', as nove vias exclusivas dão mostras de degradação nos 113,5 km de faixas 'só ônibus' existentes em todas as regiões. Para tentar conter a degradação, a São Paulo Transportes (SPTrans) criou um departamento exclusivo para cuidar da manutenção das estruturas dedicadas ao transporte coletivo, como corredores, terminais e abrigos.
Os pontos estão escuros à noite, trazendo riscos para a segurança dos passageiros. As faixas de sinalização estão apagadas, inclusive as de pedestres. O asfalto com buracos e ondulado causa solavancos e trepidações nos veículos em vários corredores - quem está em pé pode cair dentro do ônibus. E, no Centro, até moradores de rua dormem nos pontos mal iluminados.
Um dos trechos mais problemáticos é o compreendido nos 12 km do corredor Campo Limpo/Rebouças/Consolação. O asfalto tem buracos e ondulações por quase toda a extensão. Os buracos danificam os veículos e aumentam o tempo de viagem. Os chacoalhões dos veículos causam quedas de passageiros.
Um cobrador da linha Estação da Luz-Jardim Maria Sampaio, que não quis se identificar, reclama das condições de trabalho no local. 'É muito buraco. E nunca arrumam direito. Esse corredor está sempre assim', afirma. 'Fora o barulho que as janelas batendo fazem nesse ônibus velho.' O veículo no qual trabalha é de 1999.
A babá Elizete de Almeida, que passa todos os dias pela Rebouças para ir ao trabalho, também sofre. 'Sacode muito. Quando estou em pé e o ônibus dá uma freada brusca, perco o equilíbrio', explica.'
Moradores de rua nos pontos
Na Avenida São João e nos baixos do Elevado Costa e Silva (Corredor Pirituba/Lapa/Centro, o primeiro a ser entregue, em dezembro de 2003), pegar ônibus à noite é uma temeridade. Moradores de rua e mendigos dormem sob a cobertura dos pontos e assustam os passageiros. Na altura de Santa Cecília, camelôs dominam os pontos.
Na São João e também no Corredor Campo Limpo/Ibirapuera/Santa Cruz, na Avenida Ibirapuera, o problema é a falta de iluminação.
Nos corredores Inajar de Souza/Centro e também no Pirituba/Lapa/Centro, a estrutura já está obsoleta. Neles, há pontos de ônibus com plataformas elevadas, adaptados para veículos que não estão mais em uso. O resultado: em avenidas como a Marquês de São Vicente (Zona Oeste), os passageiros são obrigados a passar pelas subidas e descidas para chegar ao ponto normal. Para portadores de deficiência, a tarefa é penosa.
Há também faixas de sinalização apagadas. O corredor Itapecerica/João Dias, na Zona Sul, está praticamente invisível no trecho que passa pelo Campo Limpo. A faixa está tão sumida que, se não fosse pelos pontos no canteiro central, seria impossível saber que a faixa é só para ônibus. Mais: existem linhas de lotação que passam na faixa da direita da Estrada de Itapecerica, prejudicando o trânsito.
Já os painéis eletrônicos, com exceção do corredor Lapa/Centro, estão desligados ou passam informações inúteis. Os equipamentos foram instalados durante a construção de cada corredor, para enviar aos passageiros informações como o intervalo entre os ônibus. Seu funcionamento total ainda vai demorar.
OS PRINCIPAIS PROBLEMAS
Pirituba/Lapa/Centro: os pontos do final da Edgar Facó não têm iluminação. Faixas no chão quase apagadas. Na Av. São João, moradores de rua dormem nos pontos
Jd. Ângela/Guarapiranga/Sto. Amaro: na Avenida M'Boi-Mirim, faixas apagadas
Parelheiros/Rio Bonito/Santo Amaro: carros invadem a faixa exclusiva na Teotônio Vilela
Campo Limpo/Ibirapuera/Santa Cruz : pontos sem luz (altura do 1.000) e camelôs na Ibirapuera
Santo Amaro/9 de Julho: inscrições de solo apagadas; na Santo Amaro, asfalto ondulado
Campo Limpo/Rebouças/Consolação: buracos na Francisco Morato; buracos na Rebouças perto do Hosp. Clínicas e da Av. Brasil
Itapecerica/João Dias: na Estrada de Itapecerica, faixas quase invisíveis. Lotações passam na faixa da direita, diputando passageiros com os ônibus
Inajar/Centro: mato alto no canteiro e faixas apagadas
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