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A Fiel não quer o ‘Lulão’
Torcida repudia estádio com dinheiro público
JULIANO COSTA, juliano.costa@grupoestado.com.br
Pegou mal até entre os torcedores do Corinthians o pedido feito pela diretoria do clube ao presidente Lula para a liberação de um crédito de R$ 500 milhões para a construção do tão sonhado estádio. A proposta feita por Alberto Dualib para Lula na sexta-feira é que o valor seja financiado pelo BNDES - o pagamento da dívida ocorreria em 15 anos. O projeto ganhou o apelido de “Estádio Lulão”. E foi criticado por torcedores durante o empate em 1 a 1 com o Rio Branco, sábado, no Pacaembu.
“Sou contra. Com administração séria e transparente, dá para construir um estádio sem a ajuda do governo federal, que tem coisas mais importantes a fazer do que emprestar dinheiro para clube de futebol”, disse o torcedor Domingos Camargo Corrêa, 41 anos, funcionário público.
“Como cidadão que paga em dia seus impostos, fico preocupado com isso. E como ficarão os palmeirenses, se quiserem ampliar o Palestra Itália? E o Santos, que quer construir um estádio no Planalto?”, indaga José Ricardo Marcatto, administrador de empresas, 37 anos.
“É lógico que eu gostaria que o Corinthians tivesse estádio. Mas como cidadão, acho que o Brasil precisa se preocupar com outro tipo de coisa”, disse Antônio Francisco, 64 anos, e que trabalha em um frigorífico.
A diretoria faz questão de ressaltar que não estaria pedindo dinheiro, mas crédito. Os R$ 500 milhões seriam devolvidos em 15 anos, para o BNDES. O presidente do clube, Alberto Dualib, assegurou que Lula ficou empolgado com o projeto. Os principais argumentos para obter o crédito foram a necessidade de o Brasil ter estádios mais novos e modernos para realizar a Copa do Mundo-2014 e o ‘trabalho social’ feito pelo clube, que mantém 250 garotos em suas categorias de base a um custo total de R$ 700 mil por mês.
Segundo Renato Duprat, novo chefão da MSI no Brasil desde a volta do iraniano Kia Joorabchian para a Inglaterra, o estádio poderia ser construído em três anos e teria capacidade para 70 mil pessoas, sendo 15 mil em cadeiras numeradas e o restante em arquibancadas. Haveria também 400 camarotes, cujas vendas poderiam render uma boa quantia para quitar a dívida.
Independentemente desse projeto, a diretoria pretende reformar o Parque São Jorge para receber jogos de pequeno porte na próxima temporada.
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