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Sai faísca para todo lado
As mesas redondas de domingo à noite estão com ‘cara’ mais moderna, mas não abrem mão da tradicional polêmica
VÍTOR MARQUES, vitor.marques@grupoestado.com.br
Um bem-sucedido técnico brasileiro chama, cara a cara, ex-jogador de safado e moleque. Aos berros de ‘canalha’, um dirigente esmurra uma pilha de documentos e se diz inocente. Mas nada comparado à fúria de um jornalista, que quis resolver as desavenças com o cartola puxando o gatilho de seu revólver. Estão no ar as mesas-redondas de futebol.
Tão certo quanto o jogo de bola é uma paixão nacional , bate-boca, discussão e entrevero estão na essência desses programas, exibidos há quase cinco décadas na televisão brasileira. Até a tevê paga aderiu ao formato, que não mudou muito: um apresentador e dois ou mais convidados debatem futebol como numa mesa de bar.
Prova de que as polêmicas não são algo inédito, a tal cena da pistola foi ao ar há 40 anos, em 1967, na TV Globo (leia texto na outra página). Já a briga de treinador com ex-jogador ocorreu este mês, entre Vanderlei Luxemburgo e Marcelinho Carioca, agora comentarista, no novo programa da TV Bandeirantes, Por Dentro da Bola.
Ainda que ninguém admita incitar tamanha desavença em rede nacional, as “faíscas” rendem boa repercussão. “Bate-bocas, infelizmente, podem acontecer em programas ao vivo. É igual a tragédia, desgraça, isso dá audiência quando envolve pessoas conhecidas”, diz o valorizado Milton Neves, apresentador dos programas Debate Bola e Terceiro Tempo, ambos da Record.
Casos exacerbados são exceção, é verdade. Mas as intrigas, ironias, têm início assim que a bola pára de rolar. “Toda hora tem um bate-boca. Eles (os comentaristas) sabem como se provocar. O Dalmo (Pessoa) sabe como deixar o Chico (Lang) irritado”, diz Flávio Prado, apresentador do tradicional Mesa Redonda Futebol Debate, da TV Gazeta, uma das mais longevas da televisão, no ar há cerca de 30 anos.
É justamente esse tom opinativo, ora polêmico, ora irreverente, que faz o telespectador grudar na TV no domingo à noite e, agora, também na hora do almoço. “Não consigo imaginar o torcedor assistindo ao programa passivamente. Na hora que sai uma discussão, o cara tem de tomar partido. Ele se integra ao programa”, observa Flávio Prado.
O apresentador conta que, no passado, havia ainda uma ligação maior do comentarista das mesas-redondas com os clubes. “No Mesa Redonda, os comentaristas eram descaradamente torcedores de times. Tinha o Roberto Petri, são-paulino, Zé Italiano, corintiano, o Milton Peruzzi, palmeirense.”
Se fôssemos impedidos de assistir às partidas de futebol, os programas teriam o mérito de nos dar um recorte da rodada ou do jogo da noite anterior. “Mostramos os gols, VTs mais rápidos e comentamos o que há de mais atual”, diz Renata Fan, recém-contratada pela Band para apresentar o Jogo Aberto, na hora do almoço. Âncora do programa, a ex-miss Brasil concorre com seu antigo “chefe”, Milton Neves (veja entrevista ao lado).
Sob essa fórmula, a audiência (quadro à esquerda) também aumenta quando surge algo inesperado. “O telespectador gosta de ver os gols, informação e imagens dos campeonatos”, explica Roberto Avallone, um dos mais experientes apresentadores de mesas-redondas. “Cheguei a dar 13 pontos de ibope quando o Edílson fez as embaixadinhas na final do Campeonato Paulista (99)”, lembra.
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