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Quinta-feira, 18 janeiro de 2007   edições anteriores
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'Déjà-Vu', de Tony Scott, estréia amanhã nos cinemas com uma interessante história que mistura ação com viagens no tempo, estrelado por Denzel Washington

FRANTHIESCO BALLERINI, franthiesco.ballerini@grupoestado.com.br

O início de Déjà Vu, que estréia amanhã, faz jus ao título do filme. Parece que a gente já viu aquilo tudo antes, nos longas anteriores do diretor Tony Scott, como Chamas da Vingança, Maré Vermelha e Inimigo de Estado. Um feriado ensolarado, centenas de militares com as famílias a caminho de uma festa animada quando, de repente, uma explosão joga corpos e destroços para todos os lados.

Não se engane, porém, com este início que mais parece um episódio da série CSI. Déjà Vu é o filme menos centrado na ação e mais na ficção, ou melhor, na ficção científica, com a Teoria da Relatividade de Einstein a todo vapor.

Não se trata, porém, de um filme intelectualóide, mas de um roteiro que faz uso de algumas teorias científicas fascinantes para dar vida a uma trama policial que garante alguma originalidade, apesar dos recentes O Pagamento e Minority Report terem ido para um caminho bastante semelhante.

É o terceiro trabalho do ator Denzel Washington ao lado do diretor, após Maré Vermelha e Chamas da Vingança. E grande parte do que há de bacana no filme está no carisma do ator e seu olhar para a história.

Denzel é Doug Carlin, que trabalha na Agência Nacional de Tabaco, Álcool e Armas. Ele é chamado para recuperar provas após a explosão de uma bomba nesta balsa, em Nova Orleans. Ele descobre o corpo de uma mulher, Claire (Paula Patton) que estranhamente morreu antes da explosão. O caso levaria meses para ser resolvido. Carlin só não imaginava que iria contar com a ajuda de uma nova tecnologia, desenvolvida pelo FBI, que pode digitalmente recriar imagens de quatro dias anteriores, através de satélites. Com um telão enorme, os cientistas do FBI, Denny (Adam Goldberg), Gunnars (Elden Henson) e Shanti (Erika Alexander) são capazes de vasculhar a casa inteira de Claire e todos os seus movimentos antes de sua morte. Ou seja, esqueça a vida privada, porque a tal máquina 'vê' através até das paredes do banheiro. Carlin desconfia, no entanto, que Claire sabe que está sendo observada, quando então descobre que a imagem é, na verdade, uma ponte ao vivo para o passado, com direito até a alterações. Esqueça explicações detalhadas porque nem Einstein conseguiu resolver os paradoxos da viagem no tempo (como matar o próprio avô, por exemplo).

O ideal é embarcar na trama - e na viagem do agente rumo ao passado. Tony Scott não surpreende nos efeitos especiais - exceto pela explosão da balsa. Prefere apostar no carisma de Denzel e na atuação de Jim Caviezel, que vive o terrorista em poucas mas ótimas cenas.

Outros apetitosos momentos são as cenas de perseguição do agente com um aparelho portátil, que o faz ver a rodovia no presente e no passado ao mesmo tempo. Além das interessantes locações na Nova Orleans pós-Katrina. Déjà Vu é Tony Scott de volta em plena forma, como nos velhos tempos de Top Gun - Ases Indomáveis.



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