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Tucano tira apoio do PT
Aliados de Serra avisam a Chinaglia que ele não terá mais o apoio da bancada do PSDB. Candidatura do tucano Fruet, porém, não é consenso no partido
O candidato do PT à presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), foi avisado ontem de que perdeu o apoio da bancada tucana na disputa, que havia sido anunciado na semana passada. O atual líder do PSDB na Câmara, Jutahy Jr. (BA) e seu sucessor no posto na nova legislatura, Antônio Carlos Pannunzio (SP), comunicaram a decisão ao petista ontem. A tendência é que tucanos apóiem o colega de partido Gustavo Fruet (PR), que entrou no páreo anteontem.
Jutahy e Pannunzio alegaram que, com a candidatura de Fruet, não encontraram deputados tucanos que defendessem o apoio à proporcionalidade - a maior bancada indicaria o presidente; como o PMDB abriu mão, o direito caberia ao PT - e, por tabela, a Chinaglia. A aliança com o PT, articulada pelo grupo do governador José Serra, ao qual Jutahy é ligado, provocou um 'racha' no PSDB. Aliados do ex-governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticaram a decisão.
'O PSDB encontrou na candidatura Fruet uma solução que agrupa o partido como um todo', afirmou Pannunzio. Ele evitou dizer qual rumo o partido deve tomar em um eventual segundo turno entre Chinaglia e o atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP).
Em carta aos deputados federais, Alckmin anunciou 'apoio integral' a Fruet. De malas prontas para viajar aos Estados Unidos, ele avaliou que a candidatura de Fruet representa 'esforço elogiável' das lideranças da bancada e do PSDB para assegurar a unidade partidária.
Sem consenso
Apesar dos apelos tucanos pela unidade partidária, a candidatura de Fruet não é consenso no PSDB. Nada menos do que 14 deputados se disseram indecisos, ao serem ouvidos em levantamento feito pela reportagem com os 65 integrantes da bancada que assume em 1º de fevereiro. Um deputado declarou voto em Chinaglia. Juntos, esses dois grupos representaram 28% dos tucanos localizados pela enquete - 54.
Fruet tinha apoio de 39 deputados (72%) - 11 não foram localizados ou não quiseram responder. A votação deu garantia de sigilo aos participantes, até no caso do próprio Fruet, que votou. A eleição na Câmara é feita com voto secreto.
Enquanto contava baixas em seus aliados, Chinaglia recebeu ontem apoio do PTB e PP, que se juntaram a PR, PT e PMDB. Em consulta feita no PTB, o petista obteve 19 votos contra 3 de Aldo. No PP, foram 22 que votaram em Chinaglia, 9 no comunista e 2 em Fruet, o que surpreendeu o grupo do petista, que julgava ter apoio maior na legenda.
CABO-DE-GUERRA PELA PRESIDÊNCIA
QUEM GANHA
O ex-governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que são contrários à aliança com o PT. FHC defendia apoio à reeleição de Aldo Rebelo (PC do B-SP)
O próprio Aldo, que vê aumentarem as chances de segundo turno com a entrada de mais um candidato na disputa contra Arlindo Chinaglia (PT-SP)
QUEM PERDE
O governador de São Paulo, José Serra, apontado como articulador do apoio ao PT. Pela aliança, Serra teria ajuda do PT na Assembléia Legislativa paulista para eleger seu candidato a presidente, Vaz de Lima. O governador mineiro Aécio Neves, que teria aprovado inicialmente a articulação, declarou ser contra o apoio ao PT após FHC criticar a tentativa de aliança. Com o lançamento da candidatura de Gustavo Fruet, Serra passou a defender a tese de nome próprio
Chinaglia, que perdeu os votos do PSDB e, com mais um nome na disputa, pode ter de disputar segundo turno
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