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Quinta-feira, 18 janeiro de 2007   edições anteriores
OPINIÃO
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  O avanço do Estado indígena

Não é exagerado afirmar que a possibilidade de virmos a ter, em breve, a repetição de um apagão propriamente dito, com nossa capacidade de geração de eletricidade sendo superada pelo consumo, depende de um autêntico Estado paralelo indígena, que vem sendo montado desde o governo Collor, foi muito incentivado na dupla gestão de Fernando Henrique e continuou em ascensão no primeiro mandato do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Os índios uaimiri-atroari, que tiveram parte de suas terras inundadas, recebem dinheiro da Eletrobrás. O projeto da Usina de Belo Monte está paralisado porque a construção pode afetar a vida de 9 povos primitivos espalhados numa imensidão de 5,3 milhões de hectares. As Usinas de Santo Antônio e Jirau, do consórcio Furnas e Odebrecht, têm as obras paradas pela suspeita de prejudicarem comunidades indígenas. Inócuo falar na importância da eletricidade para a geração de riquezas e não é só nesse setor que o poder desses povos da floresta se manifesta. A Petrobrás compensa financeiramente 7 comunidades indígenas para construir o Gasoduto Coari-Manaus. Recentemente foi noticiada a quebra do acordo de cala-boca que a Vale do Rio Doce mantinha com os xicrins, que achavam pouco os R$ 569 mil que recebiam por mês da empresa. O Projeto Onça Puma, de mineração de ferro e níquel da mesma ex-estatal privatizada, tem dificuldades de prosseguimento por estar, parcialmente, em território indígena. E o asfaltamento da Rodovia BR-163, de 1.780 quilômetros, que ligará Cuiabá a Santarém, prossegue aos trancos e barrancos por causa da resistência dos caiapós.

A lista de intromissão dos ex-donos do Brasil é grande e tende a aumentar mais, pois é progressiva a boa vontade dos governos em lhes “devolver” parte do território que lhes foi tomado pelos colonizadores portugueses há 5 séculos. Do jeito como caminham as coisas, logo será cumprida a profecia do antropólogo Mércio Pereira Gomes, presidente da Funai, de que os índios, hoje donos de 12,9% do território nacional, logo se apossarão de 13,5%. Como é impraticável mandar os brancos de volta para Portugal e os negros para a África, não estará na hora de estabelecer algum limite para esse avanço descontrolado do Estado paralelo indígena sobre o território nacional?



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