estadao.com.br Estadao Jornal da Tarde Agencia Estado Eldorado AM Eldorado FM iLocal ZAP
   
Tabelas do esporte
BLOG
Advogado de Defesa
 
 
  
      Busca local   
Quinta-feira, 18 janeiro de 2007   edições anteriores
CIDADE
 ÍNDICE GERAL | ÍNDICE DA EDITORIA | ANTERIOR | PRÓXIMA
  O que causou o acidente?

Engenheiro do IPT, que pediu anonimato, diz que são fortes os comentários de ‘erro grave de engenharia’

DANIEL GONZALES, daniel.gonzales@grupoestado.com.br

Quase uma semana depois do maior acidente da história do Metrô, e ainda faltando cerca de três semanas para que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) consiga reunir as informações básicas para iniciar a investigação, especialistas, engenheiros e geólogos especializados em geotecnia ouvidos pelo JT levantaram nove hipóteses básicas para explicar o deslizamento no poço da futura Estação Pinheiros, na Zona Oeste.

O leque de possibilidades vai desde erros dos engenheiros responsáveis pela obra - que não teriam levado em consideração o tipo de terreno da futura Estação Pinheiros e adotado métodos inadequados para a escavação, as infiltrações provocadas pela chuva, surpresa geológica (formação que passou despercebida nos estudos do solo), a pressa para a construção, que teria causado falhas nas avaliações geológicas, a movimentação de solo imprevista, que teria causado recalques e afundamento, e até mesmo a mudança do projeto de construção da linha.

Um engenheiro do IPT ouvido ontem pelo JT e que pediu anonimato afirma que nos corredores do instituto já são fortes os comentários de que houve um “erro grave de engenharia”.

O Consórcio Via Amarela, responsável pela construção, informa que só vai comentar possíveis falhas na construção depois que todas as vítimas forem resgatadas. Sua única manifestação oficial sobre causas, até agora, aponta as chuvas do início do mês como mais uma das hipóteses.

Na década de 90, quando a Linha 4-Amarela foi idealizada como expansão da rede metroviária, a transposição do Rio Pinheiros seria feita por meio de um elevado, e não por túnel. Reconhecidamente, desde aquela época, o solo das margens do Rio Pinheiros já era tido como de difícil tratamento. “Trata-se de uma região de transição entre a várzea do rio e rochas, que é passível de apresentar grandes falhas e problemas”, diz o diretor do Departamento de Engenharia Civil do Instituto de Engenharia, Roberto Kochen. O geólogo Fucio Murakami explica que os sedimentos presentes na região (mistura de material orgânico com areia) não apresentam firmeza - tanto que viraram pó quando houve o acidente.

O vice-governador do Estado, Alberto Goldman, que é engenheiro, foi outro que apontou a hipótese de falha nos cálculos. “Indiscutivelmente, a engenharia falhou em algum momento”, comentou, na segunda-feira.

Três engenheiros do Metrô, incluindo o presidente da companhia, Luiz Carlos David, afirmaram que a movimentação do solo levou a um recalque (rebaixamento) da região, de 20 mm, cuja aceleração ocorreu no dia anterior ao acidente, o que pode apontar surpresa geológica ou falha na construção. O recalque, no entanto, é considerado normal numa obra desse porte.

HIPÓTESES PARA O DESMORONAMENTO

1
Não foi o poço que cedeu, mas sim parte da estrutura do túnel por onde correriam os trilhos. Esse desmoronamento, na parte de baixo, tirou a sustentação da parte superior do poço, que desabou. Essa hipótese é reforçada por imagens, gravadas pelos bombeiros durante o resgate, mostrarem rachaduras nos tetos dos túneis.


2
Por ser constituído por solo fragmentado e arenoso como toda várzea de rio, o chão se movimentou e trincou a parede do poço, fazendo-o perder a sustentação. Essa hipótese considera ter havido erro nos cálculos de engenharia e pode, por exemplo, ser apontada pelo recalque que se acelerou na véspera do acidente.

3
A umidade do local e o solo fragmentado usado na retificação do Rio Pinheiros teriam favorecido a penetração de água da chuva na obra. O fato pode ter sido favorecido por erros de cálculo ou infiltrações, conforme nota do Consórcio Via Amarela.

4
Método construtivo inadequado para o tipo de solo, arenoso e com muita rocha fragmentada. No início do projeto da Linha 4 (antiga Sudeste-Sudoeste), foi considerada a possibilidade de atravessar o Rio Pinheiros por meio de um elevado, que era defendido por engenheiros, em vez de um túnel.

5
Alguns vizinhos relatam ter visto algo caindo da grua. Se fosse parte dos pesos que balanceiam a máquina, seria suficiente para causar grandes estragos. Essa hipótese está praticamente descartada.

6
Uso de explosivos: empregados diariamente para abrir os túneis, eles podem ter contribuído para a instabilidade do solo.

7
Surpresa geológica: chamada assim pelos especialistas, trata-se de um veio de areia, ou rocha, que passou despercebido pelas análises de solo do local e pode ter cedido, derrubando o poço.

8
Explosão: acúmulo de gás pode ter causado o desmoronamento. Vizinhos e um motorista teriam ouvido um estrondo.

9
Pressa: a falta de análise geológica, metro a metro, para acelerar a construção, pode ter contribuído para o acidente.



    Links Patrocinados
  Estadao.com.br | O Estado de S.Paulo | Jornal da Tarde | Agência Estado | Radio Eldorado | Listas OESP
  Copyright © Grupo Estado. Todos os direitos reservados.