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Resgate na reta final
Corpo do motorista Francisco Torres foi retirado ontem
FABIANO RAMPAZZO, fabiano.rampazzo@grupoestado.com.br
Eram 5h40 de ontem quando um carro do Instituto Médico Legal (IML) chegou à cratera pela entrada da Marginal Pinheiros, ao lado do Edifício Passarelli. Funcionários do consórcio fecharam a entrada, improvisaram tapumes e estacionaram uma Kombi para impedir o registro de imagens. Às 6h30, o carro do IML deixou o local. Dentro dele estava o corpo do motorista de caminhão Francisco Sabino Torres, de 47 anos, que trabalhava para o Consórcio Via Amarela.
Após o resgate, os bombeiros se concentraram em retirar o microônibus preso sob os escombros. Pela manhã, 19 homens trabalhavam no túnel da Faria Lima para aliviar a pressão da terra nas laterais da van. Só então, tentariam puxá-la de dentro do túnel. Às 16h30 foi feita primeira tentativa. Um cabo de aço foi amarrado a uma retroescavadeira, que tentou puxar o veículo. Não funcionou.
A expectativa dos bombeiros era retirar ainda ontem o microônibus. Dentro dele, segundo o capitão Mauro Lopes, esperavam encontrar outras três vítimas. Terminado este trabalho, os cães farejadores devem ser soltos na área dos escombros. Se ninguém for encontrado e se a polícia não determinar que outras vítimas sejam procuradas, o resgate deve terminar.
Primeiro a sair
O encarregado de obras e irmão de Francisco, José Afonso Torres, contou como o irmão foi engolido pela cratera. 'Ele foi o primeiro a sair quando ouviu o estouro, correu na frente de todos, mas lembrou que esqueceu a carteira no caminhão e voltou para pegar os documentos', disse Torres. Francisco tinha mulher e filhos - uma moça de 19 anos e dois rapazes de 16 e 14 - e morava em São Paulo havia 28 anos. A família estava em dúvida se o corpo seria enterrado aqui ou em Joanésia, Minas Gerais, sua cidade natal. Mas o enterro foi marcado para hoje, às 9h, no Cemitério Jardim Alegria, em Francisco Morato, na Grande São Paulo .
Segundo ele, quem recebeu a notícia de que o corpo havia sido encontrado foi a mulher de Francisco. No ano passado, em outro acidente na Linha 4 do Metrô, o motorista ajudou a socorrer algumas vítimas. Francisco estava no emprego havia 1 ano e 5 meses.
Por volta das 3h30, a equipe removeu um caminhão do consórcio que estava próximo à grua, seguindo os sinais de uma das cadelas que auxiliam nas buscas, mas o corpo do motorista não foi localizado no local onde estava o caminhão, e sim mais na beirada do buraco.
Oração
Durante o dia, o bispo dom Pedro Luiz Stringhini, representante da arquidiocese de São Paulo e responsável pelas pastorais sociais da Cidade, realizou uma oração na tenda onde os parentes esperam por notícias. O religioso leu o salmo 23 e versículos 11 e 12 do Evangelho de Lucas, que falam sobre a proteção de Deus, os sinais do tempo e o cuidado com a manipulação da natureza. A esposa do motorista da van, Reinaldo Aparecido Leite, Ezileine, não gostou e saiu reclamando que ela e o marido são evangélicos. O concunhado de Leite, que é pastor da Assembléia de Deus, fez então uma oração.
O sobrinho do office-boy Cícero Augustinho Silva, Eliosípio Augustinho, de 43 anos, acredita que o tio é vítima do acidente. 'Minha tia recebeu uma ligação dele antes de embarcar no microônibus dizendo que já estava voltando para casa.'
Colaborou Natália Zonta
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