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Passarela é destruída
A demolição é um protesto dos moradores do Jardim Lapena, que querem que a CPTM mude de local a estrutura sobre a estação São Miguel
MARICI CAPITELLI, marici.capitelli@grupoestado.com.br
A cada madrugada que passa, uma parte da passarela sobre a estação de trem de São Miguel é destruída. Pedaços dos muros já foram derrubados a marretadas e incêndios intencionais danificaram a estrutura. A demolição é um protesto dos moradores do Jardim Lapena e imediações, Zona Leste. Eles querem que a passarela sobre a estação de trem São Miguel seja transferida de onde está para o local onde fica um buraco usado pelos moradores para atravessar os trilhos. Também exigem a reforma da estrutura.
A destruição da passarela Lapena, que é chamada de 'circo dos horrores' na região, começou na madrugada de segunda-feira e deve se repetir nas próximas noites. Até que as reivindicações da comunidades, formada por 40 mil famílias, sejam atendidas.
O clima é tenso. Os moradores afirmam que a atitude é uma reação à postura arbitrária da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que, na madrugada do último domingo, destruiu a escadaria irregular que dava acesso a uma passagem clandestina para a estação de trem São Miguel.
O acesso, por onde os moradores entram na estação, sempre existiu, segundo os usuários. Tanto que o local tem até nome: Buraco do Bezerra. Mas a CPTM avisou que vai fechar a passagem nos próximos dias, o que irritou os moradores.
A destruição da escada foi a primeira reação da comunidade. A passarela é de responsabilidade da subprefeitura de São Miguel. O buraco, da CPTM. Os moradores querem que a passarela seja transferida para o local onde está o buraco, distantes 200 metros um do outro. 'Com o fechamento dessa passagem que existe desde que o bairro é bairro, a CPTM quer nos obrigar a usar a passarela. Só que é impossível passar por ela por causa da violência. O risco de vida é grande, muito maior que atravessar na linha do trem', explicou José Nário Santos, o Narinho, presidente da Sociedade Amigos do Jardim Lapena.
Muitos moradores têm histórias de horror para contar da passarela que está suja, fétida e ainda dá em uma rua deserta e escura. Como se não bastasse ter sido rendido e assaltado, o pintor Cleber Lopes Ribeiro, 23 anos, foi obrigado pelos bandidos a pular da passarela junto com um colega. 'Pulamos de uns 20 metros de altura. A sorte é que caímos no mato e não na linha do trem', disse o jovem, que teve a moto roubada.
O deficiente mental Paulo Leite Sobrinho, 43 anos, foi espancado com requintes de crueldade há cerca de dois meses. Os criminosos tiraram toda a roupa dele e ainda o espancaram com correntes. 'Também teve a cabeça e as costas feridas com pregos como se fosse Jesus Cristo', contou o irmão Eduardo, 38 anos. Foram oito pontos na cabeça e R$ 0,40 roubados. 'Nós, mulheres corremos risco de violência sexual na passarela. Eu mesma fui perseguida por um homem que chegou a segurar meu cabelo. A sorte é que vinha um conhecido', contou Tania Manote. A cozinheira Edilene Barbosa Santos Silva, moradora da Vila Nova União, não usa a passarela de modo algum. 'Prefiro atravessar a linha do trem. Já vi homens fazendo gestos obscenos na passarela.'
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