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A banda do ano
>The Killers é o grande nome do rock em 2006
FELIPE MACHADO, , Especial de Nova York
Eles são pretensiosos. Eles têm um vocalista mórmon. Eles são de Las Vegas. Apesar disso, o The Killers é a melhor banda de 2006.
Você não precisa concordar comigo. Mas deveria. Ou então deveria ouvir com mais atenção Hot Fuss e Sam's Town, as duas obras-primas sonoras do quarteto formado em 2002 por Brandon Flowers (vocal e sintetizador), David Keuning (guitarra), Mark Stoermer (baixo) e Ronnie Vannucci (bateria).
Assim como Hot Fuss havia sido o melhor disco de 2004, Sam's Town é o melhor CD lançado até agora em 2006. O disco não tem apenas When You Were Young, o single do ano - junto com Crazy, do Gnarls Barkley - , mas uma coleção de canções legais que sempre nos dão uma esperança no pop.
OK, eles querem ser o U2. Mas quem não quer? Pelo menos estão no caminho certo, principalmente no quesito 'trabalhe sempre com os melhores do ramo'. Talvez tenha sido por isso que a banda contratou os produtores Flood e Alan Moulder, os mesmos do U2, e o fotógrafo Anton Corbijn... o mesmo do U2. Não precisavam fazer uma sessão de fotos preto-e-branco no deserto americano, exatamente como o U2 fez em Joshua Tree, mas ninguém é perfeito.
Aliás, é. Sam's Town é uma coleção de 12 canções pop perfeitas, assim como Hot Fuss tinha 11 músicas deliciosamente grudentas. Se fosse para resumir, é possível dizer que o estilo do The Killers é uma mistura do som feito nos anos 80 (dquela turma boa, como The Smiths, New Order e The Cure) com uma pegada moderninha e contemporânea. Mas enquanto Hot Fuss trazia uma sonoridade bem britânica, Sam's Town é descaradamente uma opereta-pop americana. A produção e os arranjos vocais são exagerados, como se o Killers tivesse perdido a vergonha de assumir que é uma banda de Las Vegas. O vocalista Brandon Flowers também está bem mais à vontade, cantando com garra e sentimento ao mesmo tempo, como uma espécie de filho de Bruce Springsteen com Freddie Mercury, do Queen.
As letras também estão menos bobinhas e mais sacadas, falando sobre relacionamentos e memórias da infância. É a prova de que, com apenas dois discos, The Killers já é uma banda de gente grande.
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