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Deputados gastam R$ 40 mi
Esse é o valor total declarado em despesas de campanha dos 94 eleitos à Assembléia Legislativa paulista
ROBERTO FONSECA, roberto.fonseca@grupoestado.com.br
Para se elegerem, os 94 deputados estaduais paulistas que tomam posse em 2007 consumiram R$ 40,1 milhões em suas campanhas. O valor, calculado pelo JT com base nas declarações de despesa dos eleitos, representa média de R$ 427,3 mil por parlamentar. Na prática, porém, há campanhas milionárias, e outras “humildes”, inferiores a R$ 100 mil.
Esse total é equivalente, por exemplo, ao maior prêmio pago pela Mega-sena este ano. Ele ainda equivale a 114,7 mil salários mínimos de R$ 350, que poderiam sustentar 8,8 mil pessoas durante um ano, com direito a 13º. E poderia comprar 1.825 carros Uno Mille, o modelo mais barato do mercado.
A campanha de R$ 40 milhões “conquistou” o voto de 8,2 milhões de eleitores, total recebido pelos 94 eleitos. Isso equivale, em média, a R$ 4,88 por voto. Fazer a campanha mais cara, porém, não levou necessariamente às maiores votações: dos oito candidatos eleitos com gastos ‘milionários’, só quatro estão entre os dez mais votados -três no ‘top 5’. O pefelista Milton Leite Filho foi o penúltimo eleito na coligação PSDB/PFL, apesar de ter gasto R$ 1,06 milhão. Ele ficou atrás, por exemplo, do colega de partido Aldo Demarchi, que declarou gastos de R$ 389,8 mil.
O maior gasto declarado foi do petista Rui Falcão, ex-secretário de Governo de Marta Suplicy, que retornou ao Legislativo estadual com a quarta maior votação. Ele gastou R$ 1,46 milhão e teve 183 mil votos, um gasto médio de campanha de R$ 7,98 por voto. Entre os maiores doadores da campanha do petista, estão empreiteiras que atuam em contratos da Prefeitura, como a Construtora OAS, que contribuiu com R$ 150 mil.
O segundo maior gasto foi do atual presidente da Casa, Rodrigo Garcia (PFL): R$ 1,39 milhão. A arrecadação, por sua vez, foi cerca de R$ 3,2 mil menor. E sua votação foi ligeiramente maior que a do petista: 196,8 mil. Nas despesas, um a curiosidade: há uma doação de R$ 241,92 para Edson Aparecido dos Santos, que vem a ser o deputado federal eleito Edson Aparecido (PSDB), ex-líder do governador Geraldo Alckmin na Assembléia, derrotado por Garcia na eleição à presidência da Casa este ano.
Entre os mais bem votados, a melhor relação gasto-voto foi do tucano Pedro Tobias. Ele teve 228,3 mil votos, e gastou R$ 493,5 mil na campanha, uma média de R$ 2,16 por voto. Apesar disso, arrecadou menos: R$ 492,3 mil. Uma curiosidade: ele declarou “recursos de origem não-identicada”. A polêmica, porém, acaba no valor: R$ 0,20.
Campanhas ‘humildes’
Na outra ponta da tabela, apesar da votação mais modesta, Patrícia Lima, do Prona, declarou gastos de apenas R$ 6,2 mil, que vieram do próprio bolso, e obteve 77,3 mil votos, ou apenas R$ 0,08 por eleitor. Na documentação entregue à Justiça Eleitoral, ela declarou não possuir nenhum bem.
A segunda campanha mais “pobre” foi do Bispo Zé Bruno, da Igreja Renascer. Ele declarou R$ 22 mil; mais da metade (R$ 13,5 mil) veio do colega de partido e candidato a deputado federal Eleuses Paiva.
Entre as 13 campanhas mais modestas, com gastos interiores a R$ 100 mil, quatro são de candidatos ligados a igrejas evangélicas que, em tese, já tem entre os fiéis um eleitorado cativo. É o caso de André Soares (PFL), filho do missionário R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça. Ele teve a 15ª maior votação (120,1 mil votos), e declarou gastos de campanha de apenas R$ 86,5 mil. Desse total, R$ 20 mil vieram do pai.
Ele ficou à frente da campanha ‘milionária’ do ex-prefeito de Itapira e ex-subprefeito de Santo Amaro Barros Munhoz (PSDB), que custou R$ 1,35 milhão. Na declaração do tucano, aliás, há outra curiosidade: doação de R$ 50 mil da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
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