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O golpe do aumento do imposto
O governador do Estado de São Paulo, Cláudio Lembo, e o prefeito da Capital, Gilberto Kassab, incorrem em três tipos de malandragem incompatível com o exercício da gestão do interesse público, ao promoverem o aumento de dois impostos que sobrecarregarão a contabilidade dos cidadãos no começo do ano que vem.
A primeira é o disfarce. Em vez de simplesmente mandar para a Assembléia uma lei aumentando a alíquota do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), recolhido dos proprietários de automóveis, o que chamaria a atenção e provocaria desgaste, o governo estadual preferiu elevar a base de cálculo, aumentando em 6,5%, na média, a tabela dos valores venais dos produtos sobre os quais o IPVA incide: combustível e automóveis. Tal correção corresponde a mais do dobro da inflação esperada para este ano, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA)em 3%.
O mesmo truque de disfarçar o aumento real decretado apenas para calafetar os rombos feitos no casco dos cofres públicos pelos gastos desmedidos e descontrolados foi o cavalo-de-batalha da explicação dada pela Prefeitura para o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A pretexto de estabelecer critérios técnicos de justiça fiscal, o prefeito mandou às favas o discurso da campanha do titular da chapa com a qual concorreu, o agora governador eleito José Serra, que execrou a fúria fiscalista da antecessora, Marta Suplicy, do PT.
O terceiro golpe de joão-sem-braço dado pela dupla é a dissonância entre essa postura cínica de socorrer os rombos fiscais produzidos pela incúria administrativa de ambos e de seus antecessores e correligionários e o discurso pretensamente liberal que um e outro empregam nos palanques em que pedem os votos dos pagantes. Cláudio Lembo e Gilberto Kassab são do Partido da Frente Liberal (PFL), pelo qual Guilherme Afif Domingos, autor de um projeto de lei que torna os impostos explícitos nos valores de compra, concorreu na última eleição a uma cadeira no Senado. Um e outro vendem a imagem de cidadãos com os quais o cidadão pode contar. Ao derrotar o PFL no último pleito, o eleitor brasileiro mandou o recado de que não entra nessa. Mas, no caso, isso não adiantará: terá de pagar os impostos aumentados do mesmo jeito.
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