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Segunda-feira, 6 novembro de 2006   edições anteriores
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  Com DNA de Rei

Aos 8 anos, Octávio, filho de Sandra Regina Arantes do Nascimento Felinto, começa a assumir seu destino

ROBSON MORELLI, , robson.morelli@grupoestado.com.br

Ainda é cedo para saber se Octávio Felinto Neto irá dar certo no futebol. Aos oito anos, o menino adora jogar bola. Tem jeito para a coisa, mas daí a se tornar um atleta existe um longo caminho a percorrer. Hoje, a única coisa que o diferencia dos demais garotos de sua idade é o sangue que corre em suas veias. Octávio tem DNA de Rei. Ele é o filho mais velho de Sandra Regina Arantes do Nascimento Felinto, filha de Pelé, o maior jogador de todos os tempos. Enquanto Octávio jogar futebol, sempre será uma promessa. O mundo o aguarda com carinho.

'Sei quem foi o meu avô, o Pelé. Ele foi o melhor de todos, não foi? Quero um dia ser como ele e jogar no Santos ou Flamengo', diz o garoto, de sorriso largo e muito carisma.

Pelé sempre quis passar o bastão a um herdeiro. Edinho foi o único a tentar. E no gol. Não deu certo. Era baixinho demais para a posição: 1,78m de altura. Os mais malvados diziam que ele ia sofrer os 1.283 gols que seu pai fez durante a carreira. Claro, uma brincadeira.

De Joshua, o filho mais novo com a atual mulher, Assíria, não se tem notícia de sua predileção no esporte. A família nunca o mostrou. E como Pelé só tem netas, Octávio é a maior esperança genética de um dia o mundo contemplar outro como Pelé. Seria demais para as três últimas gerações que não o viram em campo. Pelé parou em 1977. Octávio tem um irmão, Gabriel, de seis anos, que vai pelo mesmo caminho. Gosta de futebol e já faz suas aulinhas no Colégio Jean Piaget.

Octávio jogou dois anos no Santos, onde foi campeão da categoria fraldinha. Treinou no Litoral, clube que seu avô famoso fundou na Baixada e depois na recente Escolinha de Pelé, também em Santos. 'Eu autorizei a deixar o menino treinar na escolinha sem pagar', disse Pelé, numa entrevista dada à Rádio Jovem Pan no Rio há duas semanas. Pelé comentava sobre a morte de Sandra, a filha fora do casamento que sempre relutou a aceitar.

'O Octávio sabe quem é o seu avô, tem muito carinho e amor por ele. Nós sempre falamos que o Pelé era um homem ocupado e que por isso não aparecia em casa. É claro que ele alimenta a esperança de um dia vê-lo', diz Ozéas Felinto, pai dos meninos e viúvo de Sandra.

Octávio não tem o Arantes do Nascimento no nome. Por opção dos pais. Quando nasceu, Ozéas quis homenagear o pai e deu-lhe seu nome ao primogênito. Gabriel, o segundo filho, já tem o sobrenome famoso. 'Não quero que ele se sinta pressionado porque é um descendente de Pelé. Se amanhã não quiser jogar futebol, paciência. Eu o apóio no tênis de mesa, no basquete, ou em qualquer outra coisa. Quero que ele estude e seja alguém.'

Quem olha, diz que o menino tem talento. Sabe dominar uma bola. Cabeceia de olhos abertos. É destro, mas chuta com os dois pés. Na terça-feira, no campeonato de futsal entre os colégios de Santos, o Jean Piaget perdeu por 3 a 2 para o Gremetal. Octávio fez os dois gols da sua equipe. Na partida anterior, outra derrota: 7 a 5. Mas o neto de Pelé fez quatro dos cinco gols. É cedo, claro, é cedo. Mas ninguém faz seis gols em dois jogos por acaso.

'Ninguém sabe que ele é neto do Pelé. Leva a vida normalmente e é assim que queremos. Nunca precisamos nem contamos com ele para nada. Os meninos têm amor no coração, são crianças boas e isso nós devemos à Sandra, que nunca os ensinou de outra maneira. Por isso, amam o avô', comenta o pai Ozéas.

Uma das preocupações de Sandra (que morreu há duas semana), e de Ozéas, sempre foi proteger os meninos do assédio natural que a fama do avô lhe traria um dia. Começam a viver isso agora. Não faz muito tempo, Ozéas foi procurado por uma pessoa que se disse representante de um clube da Itália. Prefere não revelar qual. O time tinha uma proposta para Octávio. 'O rapaz me oferecia uma bolada gradativa de dinheiro para ter o direito e a prioridade de fazer o primeiro contrato profissional com o meu filho. Na verdade, claro, ele queria o neto do Pelé no elenco. Havia patrocínio de tudo, desde escola até roupa. Recusei. Não posso vender meu filho com oito anos. Ninguém sabe se ele será mesmo jogador. Não posso', contou Ozéas, firme.

O pai do garoto já foi jogador amador do Colorado, no Paraná. Era meia-direita, mas nunca se profissionalizou. Conhece e gosta de futebol. 'Se meu filho não levasse jeito, seria o primeiro a falar para ele. Mas ele leva. Além de habilidade, tem raça, força, corre por todos.'

Nesta semana, o pai de Octávio tem uma reunião com dirigentes do Santos que querem levar o menino para treinar no clube novamente, mas agora no campo. 'Se der certo, vai treinar nos Meninos da Vila, a escolinha que forma jogador para o profissional do clube. Pode ser uma boa', admite.



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