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Segunda-feira, 9 outubro de 2006   edições anteriores
OPINIÃO
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  Avanços na proteção da Mata Atlântica

Um estudo realizado pelo Instituto Florestal, órgão da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, sobre a situação da Mata Atlântica mostra que os esforços feitos para protegê-la, freando o desmatamento, estão produzindo resultados animadores.

Entre 1991 e 2001, houve um aumento de 2% na cobertura vegetal natural - de 1.176.565,63 para 1.200.229,16 hectares. E, entre 2001 e 2004, registrou-se uma redução muito pequena, de apenas 0,2%, dessa cobertura, que passou de 1.200.229,16 para 1.197.888,47 hectares. Os resultados desses dois períodos indicam que o desmatamento recuou e há uma estabilização.

O diretor de Reservas e Parques Estaduais do Instituto Florestal, José Luiz de Carvalho, acredita que não há mais como reverter o processo de manutenção e recuperação da mata remanescente. O fato de essa conquista ter sido conseguida num período em que houve na região da Mata Atlântica um crescimento populacional expressivo, de 23,4% - que em geral favorece o desmatamento -, aumenta a sua importância e reforça a tese da estabilização.

A situação da Mata no restante do País também é animadora. De acordo com dados preliminares do projeto de revisão do Atlas dos Remanescentes da Fundação SOS Mata Atlântica, o desmatamento nessa região caiu nada menos que 71% entre 2000 e 2005.

Apesar desses inegáveis avanços, o presidente da fundação, Mário Mantovani, adota uma posição cautelosa, chamando a atenção para perigos - entre os quais a especulação imobiliária no Litoral - que ainda ameaçam a Mata: 'É muita pretensão falar que está estabilizando. Houve diminuição da ação predatória, mas a pressão dos prefeitos e a especulação imobiliária podem fazer o desmatamento crescer a qualquer momento.'

A verdade parece estar no meio - os números não deixam dúvida que há de fato uma tendência à estabilização, graças à mobilização da sociedade e à resposta do poder público, mas a experiência recomenda prudência, o que significa levar em conta as advertências de Mantovani. Em vez do otimismo exagerado, que pode levar ao afrouxamento das medidas de controle e proteção da Mata, a posição correta a assumir é continuar insistindo na educação ambiental, nos investimentos para recuperar as áreas degradadas e, em especial, na fiscalização.



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