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Linda, loira e engraçada
>A atriz Maitê Proença estréia como autora de teatro na próxima sexta, na comédia 'Achadas e Perdidas'
JÚLIO MARIA, julio@grupoestado.com.br
Nem o salão de beleza, nem as compras no shopping, nada. Nada no mundo das mulheres se compara ao fenômeno que acontece entre aquelas quatro linhas brancas que chegam a borrar quando os homens se agarram, gemem e caem sobre elas. Magros, barrigudos, carecas, cabeludos, suados. Ainda que cheguem a xingar suas respectivas mães por aqueles apaixonados 90 minutos, ninguém duvida que aqueles 22 marmanjos acabaram de fazer amor enquanto suas mulheres pensavam que eles apenas jogavam uma partida de futebol.
Maitê Proença se inspirou no fantástico reino da bola, que tem os homens como súditos, para escrever Pelada, uma das seis esquetes que está em seu novo espetáculo teatral. Achadas e Perdidas, com Maitê e Clarisse Derziê, estréia sexta, às 21h, no Teatro Cultura Artística. Depois de testado e aprovado pela bilheteria de várias capitais, Achadas e Perdidas é a primeira experiência de Maitê na dobradinha autora-intérprete. "Mas quando estou atuando, é como se o texto não fosse mais meu", conta.
Maitê se preocupou em escrever algo engraçado, mas evitou que ele viesse com piadas que tirassem risos fáceis da platéia. "Não queria risos grosseiros, que fossem uma resposta a bobagens. Às vezes as comédias são tão repetitivas que se tornam até armadilhas." E com isso em mente escreveu, além de Pelada, outras cinco esquetes de situação baseadas no riso que a vida pode guardar em uma simples ida ao médico. "Eu quis usar o riso para falar de minhas histórias."
Em outros termos, Achadas e Perdidas é assim uma autobiografia coletiva. Quadro a quadro, ambientados por 11 trocas de cenário e 25 trocas de figurino, lá está a vida como ela é, mas com um pouco mais de graça: Óvulos Grisalhos fala de uma constrangedora ida de uma quarentona ao ginecologista. Quando chega em casa, ela conta o que ocorreu a uma amiga e as duas desabam em uma crise existencial.
Quem Olha o Mar Não Publica, o quadro que abre o espetáculo, é sobre uma escritora que quanto mais olha a folha em branco diante de si à espera de palavras inspiradas, mais sente subir a muralha que bloqueia suas criações. Quem vê tudo e acaba escrevendo seu próprio 'best-seller' é a empregada. Meninas mostra a veia do humor mórbido de Maitê, quando narra a ida de duas meninas a um velório. "A graça está em perceber que as crianças, muitas vezes, falam coisas que os adultos nem ousariam dizer." Amor da Minha Vida é sobre suas mulheres em uma estação rodoviária que se despedindo-se de seus respectivos amores. E tudo acaba com Unhas do Inconsciente, a dose de tensão do espetáculo, de um ataque de pânico de uma mulher. Sobre esse, nem Maitê fala muito.
O ano reserva mais para a atriz Maitê Proença. Ela conta que está sendo sondada para entrar em uma novela da Globo que já está sendo exibida. "Não posso contar qual." Amazônia - de Galvez a Chico Mendes, de Gloria Perez, também a terá no elenco. E ainda, com Ana Carolina, Maitê é a nova integrante de Saia Justa, no GNT.
(SERVIÇO)Achados e Perdidas. Teatro Cultura Artística. R. Nestor Pestana, 196 - Tel. 3258-3616. Qui, Sex. e Sáb., às 21h30. Dom., às 20h. R$ 35; Sex. e Dom. R$ 40 Sáb. R$ 50. Estréia sexta
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