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Quarta-feira, 9 agosto de 2006   edições anteriores
POLÍTICA
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  Tucano cai, Lula cresce

No Datafolha e Sensus, petista vence no 1º turno

Duas pesquisas de opinião divulgadas ontem apontaram queda do candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. No Datafolha divulgado à noite pelo Jornal Nacional, o tucano perdeu quatro pontos porcentuais - mais que a margem de erro, de dois pontos -, caindo de 28% para 24% em relação a 18 de julho, enquanto o presidente Lula, que tenta a reeleição, subiu de 44% para 47%. Antes, o Instituto Sensus divulgou levantamento em que Alckmin despencou 7,5 pontos (de 27,2% para 19,7%) em comparação ao mês passado, e o petista cresceu de 44,1% para 47,9%. Nos dois cenários, Lula vence no 1º turno.

A pesquisa, feita para a Confederação Nacional do Transporte, foi questionada pelo PSDB; antes da divulgação do Datafolha, Alckmin chegou a se referir a "uma bela piada" ao comentar os números (leia abaixo). Além de Lula, a candidata do PSOL, Heloísa Helena, também cresceu nos dois levantamentos: no Datafolha, passou de 10% para 12%, dentro da margem de erro, chegando à metade das intenções de voto de Alckmin. No Sensus, foi de 5,4% para 9,3%.

O diretor do Sensus, Ricardo Guedes, citou três hipóteses para explicar a queda de Alckmin. A primeira é que o eleitorado estaria percebendo que ele tem pouca chance de ganhar a eleição (isso teria acontecido pouco depois de o tucano apresentar o seu maior crescimento); a segunda é que haveria influência dos novos ataques do crime organizado em São Paulo (mas a pesquisa foi a campo entre os dias 1º e 4, antes dos últimos atentados); e a terceira, que ele tem sido pouco eficiente em suas aparições públicas.

O Sensus aponta que Alckmin caiu em todos os segmentos de escolaridade; Lula subiu em todos eles, menos entre os eleitores que têm ensino superior, no qual só Heloísa cresceu, saltando de 10,9% para 17,9%. Na zona sul do Rio, Heloísa está em primeiro lugar. Segundo a pesquisa, Alckmin caiu em todas as regiões, com destaque para o Sudeste, onde aparecia empatado com Lula em julho, e agora perdeu 10,8 pontos, caindo de 32,4% para 21,6%. Lula, ao contrário, subiu em todas as regiões, com destaque para o Norte/Centro-Oeste, onde tinha 40,5% em julho e agora tem 47,4%.

A rejeição do petista também caiu: 27% dos eleitores não votariam nele (32,4% em julho); a de Alckmin subiu de 35,8% para 37,6%; e a de Heloísa caiu de 46,4% para 41,7%.

Na simulação de segundo turno do Datafolha - hipotética, já que Lula vence no 1º turno - o petista aumentou sua distância em relação a Alckmin de 10 para 17 pontos. O presidente passou de 50% a 54% das intenções de voto, e o tucano caiu de 40% para 37%. No CNT/Sensus, Lula venceria Alckmin por 52,5% (48,6% há um mês) a 29,8% (35,8%).

Revés precede horário eleitoral
A divulgação das pesquisas deve "incendiar" ainda mais a corrida ao Planalto, já que falta menos de uma semana para o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na tevê. Diante da possibilidade de vitória de Lula no primeiro turno, aliados de Alckmin devem aumentar ataques ao petista, para "desconstruir" a imagem do presidente.

O revés do tucano também aponta diferença de estratégias dos comitês adversários. O PT colocou a campanha na rua em maio, apostando nos programas do partido e nas inserções televisivas. O grupo de Alckmin optou por sair a campo a partir de junho; em julho, o tucano apresentou crescimento, mas Lula ainda apresentava possibilidade de vitória no primeiro turno.



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