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Quarta-feira, 9 agosto de 2006   edições anteriores
OPINIÃO
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  E a 'fina flor' de Rondônia apodreceu...

A Operação Dominó, realizada com amplo sucesso pela Polícia Federal, que desbaratou uma quadrilha de altíssimas autoridades ocupantes de mandatos e cargos na cúpula dos Três Poderes em Rondônia, revelou o ponto a que chegou a contaminação do Estado em todos os seus escalões pelo crime organizado. E ainda mostrou que não é impossível furar o bloqueio apoiado no cipoal de leis que garantem a impunidade generalizada, particularmente de figurões da política, desde que a polícia trabalhe com afinco, competência, imparcialidade e em parceria com o Ministério Público e o Poder Judiciário. A Polícia Federal, que, no atual governo, tem desempenhado de forma exemplar sua missão de apurar crimes e apontar e processar criminosos de colarinho-branco, merece aplausos pela argúcia e competência nesse trabalho.

A partir de uma denúncia feita pelo governador Ivo Cassol (PPS), que, segundo o noticiário, não está de todo isento de suspeição, a PF desmascarou um amplo esquema de assalto aos cofres públicos e burla à Lei de Responsabilidade Fiscal, viabilizado por um sistema de proteção mútua engendrado pelos quadrilheiros. Estes não são criminosos comuns, mas deputados estaduais (23, ou seja, todos, 24, menos 1), juízes, altos funcionários do Legislativo, empresários e parentes de servidores que ocupam altos postos da administração estadual, destacando-se entre eles os presidentes de Dois dos Poderes republicanos no Estado, o da Assembléia e o do Tribunal de Justiça.

A "fina flor" da cúpula política e da alta sociedade de Rondônia praticou, nestes últimos 3 anos, os crimes de corrupção, fraude, improbidade administrativa, venda de sentença e lavagem de dinheiro, entre outros, num caso de corrupção que causou, pelo que foi apurado até agora, um rombo de R$ 70 milhões. Não tanto pelo prejuízo, mas muito mais pela contaminação dos altos escalões da máquina pública estadual em Rondônia, o caso exige das autoridades atenção, zelo e cuidado. De um lado, não há registro histórico de nada dessas dimensões no Brasil, mas ninguém pode garantir que algo semelhante não esteja ocorrendo em outros Estados e outras instâncias da administração pública nacional. De outro, é preciso cuidar para evitar repercussões funestas do episódio sobre as próximas eleições.



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