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Liga Árabe acusa ONU de passiva
Propostas de cessar-fogo permanecem no papel
Uma delegação da Liga Árabe acusou ontem o Conselho de Segurança (CS) da ONU de permanecer passivo enquanto semanas de confronto entre Israel e o grupo xiita Hezbollah disseminam "as sementes do ódio e do extremismo" no Oriente Médio.
No 28º dia de conflito, pelo menos 14 libaneses morreram ontem nos bombardeios de Israel e 3 soldados israelenses nos combates com o Hezbollah no sul do Líbano. As milícias xiitas não revelaram suas baixas no confronto - Israel diz ter matado 15 combatentes - e lançou mais de cem foguetes contra o norte israelense, sem causar mortes.
Ontem Israel também impôs o toque de recolher na zona de combates no sul do Líbano e, à noite, bombardeou o maior campo de refugiados palestinos no país.
O líder da delegação árabe enviada à ONU, em Nova York, o chanceler do Catar, Hamad bin Jassem al-Thani, afirmou em reunião do CS que o esboço de resolução elaborado pela França e EUA só vai complicar a crise e provocar graves desdobramentos no Líbano e na região.
O texto franco-americano pede o fim das hostilidades, e não um cessar-fogo imediato, como querem os países árabes. Também prevê o envio de uma força multinacional de paz ao sul do Líbano e permite que o Exército de Israel permaneça na área até a chegada dessas tropas.
Votação adiada Em resposta, o governo libanês rejeitou no domingo essa proposta, o que levou França e EUA a anunciarem negociações para a revisão do texto. Com isso, foi novamente adiado seu envio à votação pelos 15 membros do CS. Não se espera a votação hoje. "É óbvio que uma resolução que não leve em conta o lado libanês não deve ser adotada", disse o representante russo na ONU, Vitali Churkin. A Rússia tem poder de veto no CS, bem como Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e China.
Atualmente cerca de 10 mil soldados ocupam uma área de quase 6 km de largura no sul libanês, da fronteira de Israel para o território libanês, como parte da estratégia militar de Israel - com apoio dos EUA - de empurrar as milícias do Hezbollah para longe da fronteira e impedir o grupo de lançar foguetes contra o país.
Na segunda-feira, o governo do Líbano - no qual o Hezbollah é representado por dois ministros - anunciou a convocação de reservistas do Exército e aprovou o envio de 15 mil soldados para o sul libanês, tão logo Israel se retire da região. Ontem, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, qualificou de "passo interessante" o anúncio e afirmou que o estudaria com cuidado. Ao mesmo tempo, ele convocou para hoje uma reunião do gabinete para decidir a possível expansão da ofensiva militar no Líbano se a via diplomática não prosperar.
De acordo com a imprensa israelense, milhares de reservistas aguardam ordem para iniciar a invasão em larga escala do Líbano. Oficiais têm dito que o objetivo seria estabelecer uma zona de segurança até o Rio Litani (a 30 km da fronteira), para impedir disparos de foguetes e nova invasão de Israel pelo Hezbollah. O atual conflito começou quando o grupo cruzou a fronteira, capturou dois soldados israelenses e matou três.
Funcionários da ONU divulgaram carta do secretário-geral, Kofi Anan, ao CS, na qual ele diz que há base para a abertura de um inquérito sobre se os bombardeios israelenses violam a lei internacional. Ele cita como exemplo o ataque à vila de Qana, no dia 26, no qual morreram 28 civis, na maioria crianças.
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