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Quarta-feira, 9 agosto de 2006   edições anteriores
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  Preso é suspeito de parar lotações

Granada, como é conhecido, pode ter sido o responsável pela paralisação ocorrida anteontem na Capital

BRUNO TAVARES, bruno.tavares@grupoestado.com.br

O preso Antônio José Müller Júnior, o Granada, é suspeito de ter ordenado a paralisação do serviço de microônibus na Capital, anteontem, durante a terceira onda de ataques atribuídas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Apontado como um dos chefes da máfia dos perueiros, Júnior foi preso em maio de 2003, dois meses antes de participar da licitação que selecionaria os permissionários e concessionários do sistema de transporte coletivo da Cidade.

Perueiros denunciaram ontem ao JT que criminosos usaram o nome de Müller para exigir a paralisação dos lotações. "Eles passavam de moto ou de carro dizendo que até agora tinham deixado a gente em paz, mas que, desta vez, o Granada havia mandado parar", contou um motorista de microônibus da Cidade, que pediu anonimato por temer represálias. Segundo o perueiro, as exigências do preso teriam sido transmitidas aos "soldados" da organização criminosa nas ruas.

Os serviços de inteligência da Polícia Civil e da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) não descartam a atuação de Granada no episódio. Na avaliação de autoridades, as ordem podem ter saído da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau - onde Müller está isolado ao lado de outros líderes do PCC - no domingo. Delegados e funcionários do sistema prisional suspeitam que, desta vez, os "salves" foram repassados às visitas, para evitar as interceptações telefônicas.

O horário em que tiveram início os atentados contra ônibus e microônibus reforça essa tese. Conforme balanço divulgado pela SPTrans, empresa que gerencia a rede de transporte do município, o primeiro ataque ocorreu às 5h10 de anteontem. O alvo foi um veículo da Transcooper que circulava na Zona Norte.

"Após a visita de domingo, os parentes dos presos costumam retornar à Capital só no fim da noite. Foi o tempo de chegarem, avisarem os 'soldados' e começarem os ataques", diz uma fonte do sistema prisional. "Essas denúncias fazem sentido."

Embora não seja considerado um "sintonia" - elo entre a cúpula e as "células" nas ruas -, Granada figura como líder do PCC no bando de dados informatizado da polícia. Dono da Transmetro - cooperativa extinta sob suspeita de ligação com o crime organizado -, Müller foi acusado de cobrar R$ 15 mil de perueiros que tentavam ingressar no sistema. Para não ser desmascarado, usava o nome falso de Antônio José Ferreira Leal.

Em 2000, ele foi resgatado da Penitenciária 3 de Hortolândia, na região de Campinas. À época, já cumpria pena de 20 anos de prisão por crimes como roubo, receptação, homicídio e estelionato. Ao ser recapturado por policiais do Departamento de Narcóticos (Denarc) numa chácara nas imediações de Paulínia, Granada passou a ser investigado também pelo sumiço de três perueiros da Capital.

Ligações perigosas

O nome de Granada voltou ao noticiário em junho deste ano, depois que Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, dono da Cooper Pan, foi preso acusado de manter ligações com Müller. Em depoimento à polícia, Pandora afirmou que a transferência de 400 trabalhadores da Transmetro, que passaram a atuar na garagem 2 (G2) da Cooper Pan, ocorreu por interferência de Jilmar Tatto (PT), então secretário municipal dos Transportes.

Após ter acesso a essas informações, a Polícia Civil de Santo André, responsável pelo caso, chegou a requisitar a prisão preventiva de Tatto. Entretanto, o Departamento de Inquérito Policiais e Polícia Judiciária (Dipo) negou o pedido alegando insuficiência de provas.



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