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Quarta-feira, 9 agosto de 2006   edições anteriores
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  Bann Química fecha as portas

Prefeitura interdita e multa fábrica que poluía o meio ambiente no Jardim Keralux

MARICI CAPITELLI, marici.capitelli@grupoestado.com.br

Alívio para as seis mil famílias do jardim Keralux, na Zona Leste. É que, a partir de hoje, a Bann Química, empresa acusada de produzir um bolsão de contaminação no bairro, não poderá mais funcionar.

A indústria foi interditada pela secretaria municipal do Verde e Meio Ambiente. Só poderá retomar as atividades depois que sanar todas as irregularidades que ameaçam a comunidade e o meio ambiente.

A interdição da empresa foi determinada na sexta-feira, depois de uma vistoria feita por técnicos da secretaria do Verde e Meio Ambiente e da Coordenadoria de Vigilância Sanitária (Covisa). Na edição de 29 de junto, o JT denunciou o perigo iminente de um acidente ambiental ameaçando a população.

De acordo com os técnicos, foram três os motivos que contribuíram para o fechamento da empresa, que produz aditivos químicos para a indústria de borracha.

A Bann Química está lançando todos os dias na atmosfera de 3 a 5 toneladas de enxofre. O produto, que deixa um cheiro forte no ar, causa problemas respiratórios, bronquite, naúseas e dor de cabeça - sintomas comuns entre os moradores.

"É uma quantidade muito grande que está sendo lançada", explicou Hélio Neves, assessor especial da secretaria do Verde e Meio Ambiente.

Outro problema encontrado foi o armazenamento irregular de produtos tóxicos. A Bann Química manipula matéria-prima altamente tóxica. "O material estava armazenado em tambores ao ar livre", disse Hélio.

Dejetos no rio

Além disso, foi constatado que a empresa não trata os dejetos, e os joga no córrego Mongaguá, que corta o bairro e é um afluente do Tietê. São lançados no córrego 45 metros cúbicos de vários contaminantes. Esse percentual é mais que o dobro do permitido pela Legislação.

Além do fechamento, a empresa foi multada em R$ 60 milhões.

A decisão foi comemorada por Lourival Batista Pereira, do Sindicato dos Químicos, que há 15 anos acompanha o problema no bairro e os trabalhadores com problemas de saúde.

"Foi uma medida importante. O problema é que a empresa faz de conta que cumpre, mas não resolve os problemas". Segundo ele, até junho foram 19 acidentes graves.

A Bann Química foi procurada,. mas não quis se manifestar.



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