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Desconto para limpar o nome
Empresas de recuperação de crédito facilitam a regularização de pendências com abatimentos de até 50%
As empresas de recuperação de crédito para bancos, lojas e financeiras estão dando até 50% de desconto sobre o valor total da dívida para o consumidor que estiver inadimplente há mais de seis meses. Além disso, os prazos de pagamentos do débito atrasado e renegociado estão mais longos.
Essa corrida atrás do consumidor se deve ao aumento da inadimplência no primeiro semestre. "A regra hoje é preservar o valor principal do empréstimo, nem que seja parcelado, e recuperar o crédito em atraso antes dos concorrentes", afirma Oswaldo Freitas Queiroz, diretor da Servloj. A empresa administra o crediário de 600 lojas do varejo e cuida da recuperação do crédito.Ele conta que, em 2005, a taxa de desconto na renegociação era de 30%. O parcelamento da dívida renegociada era em três vezes. Hoje é de seis. Com essas facilidades, a empresa conseguiu dobrar o índice de recuperação dos créditos nos últimos 12 meses, de 5% para 10%.
"Hoje o inadimplente não paga se não quiser", diz Alexandre Bulgarelli, diretor da Warm Assessoria de Cobranças, que tem como clientes bancos e financeiras. Ele conta que as renegociações estão muito favoráveis ao inadimplente.
O desconto sobre o valor principal do empréstimo é de 15% no caso dos créditos vencidos acima de um mês e 50% das dívidas não pagas acima de cinco anos. Em 2005, não havia desconto para as dívidas vencidas acima de 30 dias. No caso dos inadimplentes acima de cinco anos, o abatimento era de 40% sobre o valor principal.
Segundo Bulgarelli, instituições financeiras e lojas não perdem dinheiro quando são flexíveis na renegociação. "Quando dão o desconto, recebem, no mínimo, o valor principal do empréstimo. Elas já ganharam muito com as taxas", diz.
Pesquisa do Banco Central sobre o spread (diferença entre os juros pagos e os cobrados pelos bancos), realizada em agosto de 2003, mostra que a fatia que mais pesa no custo dos financiamentos é a margem de lucro dos bancos (37,45%), seguida dos impostos (27,34%).
Queiroz, da Servloj, pondera que, no caso dos créditos mais antigos, os bancos já tinham registrado como perdas.Reaver parte desse prejuízo é bom negócio.
O agente de vendas Leonel, de 32 anos, foi conferir as condições para renegociar sua dívida. E fez proposta para o Itaú: pode pagar à vista 10% dos R$ 3 mil que está devendo. A agência ainda não deu retorno. "Estou com essa pendência há dois anos. Para eles, já é um dinheiro perdido." Depois de quitar com o Itaú, Leonel vai tentar um abatimento nas Casas Bahia, onde há mais de um ano ele comprou um sofá, parcelado em 24 vezes. Só pagou as seis primeiras prestações. A loja oferece 40% de desconto para liquidar a dívida. "Sem essas campanhas de recuperação seria impossível."
Atenta para a necessidade do consumidor de obter facilidades para deixar de ser inadimplente, a Sorocred, que administra cerca de três milhões de cartões de crédito, ampliou de 4 para 11 vezes o prazo de pagamento para os devedores. "Também demos uma bonificação nas tarifas", diz o diretor Regional, José Tadeu Chiozzi.
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