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Santo X Santo
Publicitário cria jogo de cartas com 'duelo' de santos
CAIO QUERO, , caio.quero@grupoestado.com.br
Qualquer devoto, mesmo que não admita, já deve ter se perguntado qual dos santos da Igreja Católica é o mais poderoso. Santo Expedito, São Francisco, São José, Nossa Senhora, quem é que tem mais intimidade com o Todo Poderoso e mais força para ajudar os fiéis naquelas horas de aperto?
Foi pensando nisso que o publicitário gaúcho Eduardo Menezes criou o Super Trunfo Católico, baseado no Super Trunfo, jogo que fez sucesso entre as crianças nas décadas de 1970 e 1980 e que trazia cartas com fotos e características do motor e da aerodinâmica de carros, motos e aviões, em disputas para ver qual era o mais potente.
A brincadeira surgiu em uma mesa de bar. "Logo após a morte do Papa João Paulo II, estava discutindo com uns amigos sobre qual papa seria o mais poderoso", lembra Menezes, que conta que o assunto logo se desviou para a questão de qual dos santos da Igreja seria o mais forte. "Foi aí que eu e meu amigo publicitário Antenor Savoldi pensamos em criar o jogo", lembra Menezes.
Com a idéia na cabeça, Menezes, que estudou a vida inteira em um colégio católico, mas não é praticante, saiu fazendo pesquisas sobre as histórias dos homens e mulheres canonizados pela Igreja Católica em livros e na internet. Em apenas 25 dias ele já havia catalogado todo o material. O publicitário convidou então o designer Pablo Bohrz para fazer a arte das cartas do baralho. E pronto.
Logo que ele produziu os primeiros jogos, o Super Trunfo Católico virou um sucesso entre seus amigos. Foi aí que ele teve a idéia de comercializá-los em seu blog na internet por R$ 20 cada um, mais o preço do envio pelo correio. Até agora já vendeu cerca de 150. "O lucro que tenho é irrisório. Faço mais pela piada. Claro que não quero ofender ninguém com a brincadeira", diz Menezes. Quem estiver interessado, pode adquirir pelo site www.insanus.org/menezes ou pelo e-mail arabe.luther@gmail.com.
O jogo é composto por 30 cartas que trazem as imagens de santos e alguns atributos que servem como requisitos para a disputa.
O primeiro dos atributos é a fé. "O campeão, com 99%, é São José, pai de Jesus, por ter acreditado na gravidez milagrosa de Maria. Já o que menos tem fé é, obviamente, São Tomé, aquele que só acredita vendo", explica Menezes. Os outros quesitos são o número de milagres atribuídos, o ano da canonização e o número de devotos. "Claro que esses dados não são reais, fiz apenas uma aproximação."
Para fazer uma homenagem ao Super Trunfo original, Menezes adicionou o atributo RPM, que no caso dos carros e motos, significava o número de rotações por minuto do motor. "Inventei o quesito Reação ao Pecado e à Mentira, que também ajuda a melhorar a jogabilidade na hora da disputa."
Você agora deve estar se perguntando qual é o Super Trunfo, a carta mais poderosa do jogo. Arrisca um palpite? Jesus Cristo, é claro. Quem está com ele está bem no jogo. Ele vence as outras cartas sem nem competir, perdendo apenas para algumas que possuem a letra 'A' inscrita no canto superior esquerdo.
Reação da Igreja
"Se a intenção do jogo não for a de enxovalhar a Igreja ou os santos, não temos em princípio nada contra", afirma o Padre Juarez Pedro de Castro, assessor de comunicação da Arquidiocese de São Paulo, após analisar uma das cartas do Super Trunfo Católico.
Ele conta que a Igreja é contra qualquer tipo de jogo de azar, que envolva dinheiro, mas admite que "jogos podem ser usados até mesmo na evangelização". Para ele, o Super Trunfo Católico tem algumas falhas teológicas graves e não pode servir como instrumento de catequização.
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