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Os tiros do rap ressuscitam o gangsta
Discos, DVD exclusivo e o romance de um escritor inglês intensificam a batida do gênero que chega às prateleiras no mercado fonográfico e literário
MARCO BEZZI
Entre tiros, mortes e xingamentos, o gangsta rap finalmente sucumbiu ao ostracismo no início dos anos 2000. As mortes dos rappers 2Pac Shakur e Notorious BIG fizeram o cenário perder sua graça e o que era mais teatro do que vida real pintou um cenário de sangue e funerais. Cessada a metralhadora, muitas vezes não só acionada pela língua de seus participantes, o gênero, que caiu nas graças dos adolescentes americanos nos anos 90, ganha reedições, coletâneas exclusivas e até um romance.
A gravadora Trama em parceria com a "máfia" Death Row (o maior selo de gangsta dos EUA) coloca no mercado diversos CDs e um DVD com o melhor do que a Costa Oeste ofereceu. Entenda-se por Oeste o mestre Dr. Dre e seus comparsas 2Pac e Snoop Dogg. O destaque fica para a coletânea de produções de Dre, Chronicles, e o DVD Gangsta Rap, uma compilação dos melhores clipes do período de criatividade, sangue e ritmo pesado. Compilação também em CD, produzida pela gravadora brasileira em formato exclusivo para o mercado nacional. Há também a ótima trilha do filme Above the Rim e mais uma compilação de 2Pac, todas com preços a partir de R$ 16, 90.
Literatura rap
O livro Gangsta Rap (Cia. das Letras, R$ 36), do escritor Benjamin Zephaniah, 48, transforma em um romance aquilo que foi notório no relacionamento entre pares do mesmo gênero. Muita violência, niilismo e música. Expulsos da escola, Ray e seus amigos montam um grupo de hip-hop. Em pouco tempo, ganham uma legião de fãs e a atenção da mídia. Passado na periferia de Londres (isso mesmo, Londres, ou você acha que o gênero só foi usufruído pelos americanos?), o caminho para o estrelato segue a lei das ruas, e a guerra entre gangues está a um fio de corroer as ruas da velha cidade. O personagem principal é uma espécie de alter ego do escritor e Zephaniah será a principal atração da 4ª Festa Literária Internacional de Paraty em agosto, ao lado da escritora Toni Morrison, prêmio Nobel de literatura de 1993. Distante da guerra urbana do período em que subiu nas paradas, o gangsta rap soa melhor do que nunca.
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