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Médicos parados
Desordem no sistema causa a confusão
MARICI CAPITELLI, marici.capitelli@grupoestado.com.br
Contradição na saúde. Os pacientes esperam meses - até um ano - por uma consulta com especialistas na rede pública. Enquanto isso, os médicos do sistema têm uma ociosidade estimada em 40% em suas agendas. Ou seja, faltam pacientes. A estimativa é da Secretaria Municipal de Saúde, que acaba de implantar medidas para tentar reverter esse quadro de gestão deficitária de recursos.
"É um número absurdo. Com essa ociosidade, não sabemos qual a demanda reprimida de especialistas que realmente precisamos", afirmou Lilian Helena Pilli Falcão, coordenadora de Práticas Assistenciais da secretaria.
Para Lilian, um dos motivos da ociosidade está no sistema de marcação de consultas, que vinha sendo feito somente pelo call center do Estado. A rede estadual atende as especialidades com a retaguarda do município.
Pelo call center, as consultas são agendadas em qualquer região da Cidade, sem adequação ao local de moradia do paciente, que recebia depois um comunicado com a data e o local do atendimento. Com isso, eles acabavam não comparecendo porque, durante esse período, procuravam o pronto-socorro se piorassem. Ou então, porque não tinham dinheiro para o transporte.
"Uma dificuldade grande para nós, usuários, é que somos avisados da consulta na véspera, quando chegamos em casa do trabalho. Aí não dá mais tempo de avisar no emprego e a maioria prefere faltar ao médico, embora tenha esperado meses e e esteja precisando de atendimento", explicou o líder comunitário e conselheiro de saúde do Jardim São João, Edson Rodrigues Alves, de 39 anos. Ele vive tentando resolver os problemas de saúde da comunidade, na Zona Norte.
De acordo com a coordenadora da Secretaria Municipal de Saúde, as 370 unidades básicas de saúde que são informatizadas começaram neste mês a ter acesso às páginas do call center do Estado. É o Sistema Integrado de Gestão de Atendimento (Siga). "Nós sabemos na hora onde tem vaga mais rápido e mais perto. O paciente escolhe de acordo com a sua conveniência e pode se programar", explicou.
O sistema possibilita também saber o número de consultas que todos os médicos têm para realizar. Assim, eles têm que cumprir a agenda programada. Com a marcação funcionando em sua capacidade total, Lilian acredita que será possível saber se faltam médicos e em quais especialidades é necessário contratá-los. "Vamos ter uma visão real da situação". Ela acredita que terá esse diagnóstico até o final do ano.
Pelo menos uma área, a de ginecologia, a secretaria já sabe que tem um número de profissionais considerado ideal.
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