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Escutas revelam plano de novos ataques
Conversas interceptadas pela polícia mostram que integrantes do PCC planejam atentados e rebeliões em todo o Estado para o segundo domingo de agosto
MARCELO GODOY, marcelo.godoy@grupoestado.com.br
Presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) estão planejando novos ataques e rebeliões para o Dia dos Pais. A ameaça foi flagrada em escutas telefônicas feitas pela inteligência policial e repetem o plano original do PCC antes da decisão tomada pela cúpula de praticar os atentados de maio em resposta ao isolamento dos chefes da facção na Penitenciária-2 de Presidente Venceslau. A ação prevê o envolvimento dos detentos que saírem dos presídios de regime semi-aberto para visitar suas famílias.
"Quem sair vai quebrar, e quem ficar vai virar", diz a ordem. Virar significa, na gíria das prisões, provocar rebelião no presídios. Os presos no regime semi-aberto têm o direito de sair cinco vezes por ano da prisão para visitar suas famílias em datas especiais. No fim de semana do Dia das Mães, quando ocorreram os ataques de maio, haviam sido liberados pela Justiça para visitar suas famílias 12.633 presos, dos quais 11.156 retornaram aos presídios no prazo legal. Nenhuma das rebeliões atingiu presídios de regime semi-aberto - as 74 penitenciárias rebeladas eram as de regime fechado.
A ameaça pode ser mais uma entre outras que a organização não cumpriu até agora. Entre essas está a de provocar um blecaute no Estado atacando a infra-estrutura de energia paulista. Outra ameaça foi a de matar políticos do PFL e do PSDB.
Uma escuta telefônica feita pelo Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) flagrou um preso conhecido como Moleque conversando com um bandido que se identifica como Muca. Este pede ao preso que lhe repasse as ordens da cúpula do PCC, o chamado "salve" para os ataques nas ruas do Estado.
Alguns diálogos são cheios de códigos. Em vez de mandar matar os políticos, a ordem foi repassada de forma truncada. O preso mandou matar os "policiais da Câmara Municipal".
Um delegado do Denarc disse ontem não ter dúvidas de que o fato de a ordem ter chegado truncada contribuiu para que políticos não sofressem atentados na mais recente onda de ataques promovida pela organização criminosa.
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