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Essa é a dura realidade
LUIS AUGUSTO SÍMON, luis.simon@grupoestado.com.br
Há duas certezas sobre a 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, que começa no sábado, e que mostram uma cruel diferença entre dois grandes do futebol paulista:
1) mesmo que o São Paulo perca para o Santos, continua como líder isolado do campeonato;
2) mesmo que o Corinthians vença o Santa Cruz, em Recife, continua na zona de rebaixamento.
Nada indicava que seria assim. O Corinthians foi campeão brasileiro do ano passado e credenciou-se para ser o grande rival do São Paulo, campeão da Copa Libertadores da América e Mundial interclubes.
Não foi o que aconteceu. O Santos venceu o Campeonato Paulista e o Corinthians saiu humilhado da Libertadores, após duas derrotas para o River Plate - 2 a 1 em Buenos Aires e 3 a 1 no Pacaembu, em um jogo em que os policiais evitaram uma tragédia, impedindo a invasão de campo por torcedores corintianos.
O presidente Alberto Dualib viu nessa eliminação a senha para explicar a decadência corintiana: "Depois da Libertadores, o time ficou muito abalado e não soube reagir. O aspecto psicológico está pesando muito sobre nossos jogadores."
Por que, então, o Corinthians foi eliminado e o São Paulo disputa hoje sua passagem à fase semifinal da competição? Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol do São Paulo, tem a explicação: "Nós investimos no André Dias para formar uma zaga experiente com o Lugano e o Fabão. Eles jogaram com meninos que estão sendo crucificados agora." A referência é a Coelho, autor de um gol contra, e a Betão - ambos afastados do time.
Parece não haver dúvidas de que o São Paulo contratou melhor. Quem diz é Flávio Adauto, vice-presidente de comunicação. Do Corinthians. "Esse é um dos motivos por que estamos assumindo o futebol profissional. Vamos descontar o tempo perdido."
O Corinthians trouxe jogadores de clubes rebaixados: Renato e Ramón (Atlético-MG); Xavier (que veio do Vitória-BA e foi para Israel) e Rubens Jr. (Coritiba).
Tentou Rodrigo, zagueiro que fez sucesso no São Paulo e que está na Ucrânia. Não conseguiu inscrevê-lo: a CBF alegou que a "janela" havia terminado. Só que o São Paulo conseguiu Ricardo Oliveira, que estava no Bétis - havia feito pré-inscrição semanas antes. Um "baile"no rival.
A quem caberia buscar a CBF para inscrever Rodrigo? Kia ou Dualib? A dualidade do comando parece ser um mal corintiano. No São Paulo, Juvenal Juvêncio - que se gaba de pertencer ao 1% da população brasileira que entende de futebol - tem sempre a última palavra, apesar da assessoria de Marcelo Portugal Gouvêa, Marco Aurélio Cunha e João Paulo de Jesus Lopes. Todos sabiam o dia em que Rogério Ceni e Mineiro deveriam voltar a treinar, depois do fiasco na Copa. No Corinthians, ainda se discute quem deu folga a Tevez.
São lições para o ano que vem - 2006 já é ano perdido para o Timão.
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