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Terça-feira, 25 julho de 2006   edições anteriores
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  Ar seco sufoca a Cidade

FERNANDA ARANDA, fernanda.aranda@grupoestado.com.br

Um dia de Cerrado, em plena Capital paulista. Ontem, a umidade do ar foi tão baixa em São Paulo - entre 20% e 30% - que chegou aos mesmos índices registrados em Brasília, região mais seca do Brasil. Segundo a empresa de meteorologia Climatempo, o ar vai continuar seco pelo menos até sexta-feira.

A baixa umidade do ar causa diversos problemas de saúde, fazendo aumentar a ocorrência de casos de gripe, asma, bronquite, rinite e sinusite. "Decretamos estado de alerta. O normal é que o ar tenha 60% de umidade. Mas as médias da Capital oscilaram ontem, entre 20% e 30% de umidade, situação também agrava pelos altos índices de poluição", explicou o meteorologista da Climatempo, Marcelo Pinheiro.

Os municípios do Noroeste de São Paulo, como São José do Rio Preto e Bauru, registraram ontem o dia mais seco do ano, com 13% de umidade. Mas problema não está concentrado somente no Estado de São Paulo. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), todas as regiões brasileiras sofrem, desde o início de julho, com a falta de chuvas e com as temperaturas altas. Além de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia e Pará apresentam umidade relativa do ar inferior a 30%.

"Dez Estados do Brasil já receberam avisos especiais sobre a baixa umidade. A situação é mais crítica no Triângulo Mineiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Interior de São Paulo. O problema deve piorar em agosto e setembro, quando as massas de ar seco são ainda mais fortes e impedem a passagem de nuvens carregadas de chuva", disse o coordenador do Inmet, Ricardo Lauxe Reinke.

A empregada doméstica Maria Alvina Batista Silva conta que ela e a família sofrem com o ar seco. "Meu filho tem apenas 9 meses e está tendo problemas respiratórios; tenho de levá-lo sempre ao hospital para fazer inalações."

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, as doenças respiratórias, típicas do período seco crescem e atingem principalmente as crianças. Só no Hospital municipal Menino Jesus, na Bela Vista, Centro da Capital, dos 200 atendimentos diários no Pronto-Socorro infantil, cerca de 15% são relacionados a problemas respiratórios.

"Em época de ar seco, a mucosa do nariz fica mais sensível e não consegue barrar a entrada de vírus e bactérias. Com isso, acontece um aumento expressivo do número de casos de rinite, que podem evoluir para crises sérias de sinusite", alertou a diretora do Hospital, Carmem Silvia Borges.

A notícia boa é que está prevista para o final de semana a chegada de uma frente fria. Segundo os especialistas, a possibilidade de pancadas de chuva e a queda de temperatura devem aliviar o ar que os paulistanos respiram.

Até lá, a orientação é beber muito líquido - pelo menos dois litros por dia -, e evitar praticar exercícios físicos ao ar livre nos horários de sol forte , entre 7h e 17h. Outro problema de São Paulo, além do ar seco, são as inversões térmicas, em que o ar poluído fica parado sobre a cidade, impedindo a renovação.



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