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Ameaça à revitalização do centro
A situação na Rua Barão de Itapetininga, que continua tomada pelos camelôs, demonstra o malogro das reiteradas tentativas de coibir sua ação e o comércio de produtos ilegais, que comprometem os esforços feitos pela Prefeitura e o governo do Estado para revitalizar o centro.
Reportagem de O Estado de S. Paulo mostra que essa rua se tornou um imenso e barulhento bazar. E, como não poderia deixar de ser, a situação nas adjacências - Ruas Conselheiro Crispiniano, 24 e Maio e 7 de Abril e Avenida Ipiranga - é parecida. Não admira que a procura por escritórios na região venha caindo.
Para melhor "divulgar" seus produtos, principalmente CDs e DVDs piratas, os camelôs não se limitam mais a gritar. Utilizam para isso dezenas de alto-falantes. Para driblar a fiscalização, "olheiros" por eles contratados usam rádios para avisá-los da aproximação de guardas civis metropolitanos. Outros fazem o mesmo circulando de bicicleta pela região. Este eficiente sistema de alerta garante o bom andamento dos seus negócios. Os mostruários e pequenas barracas são desmontados, quando se anuncia a chegada dos fiscais, e remontados quando eles se afastam.
Há muito é sabido que para resolver esse problema é preciso ao mesmo tempo coibir a ação dos ambulantes ilegais - que são a imensa maioria - e atacar os depósitos de mercadorias ilegais. Está comprovado que pelo menos metade dos produtos vendidos pelos camelôs vem do contrabando, da pirataria e do roubo de carga. Ou seja, a camelotagem virou um braço do crime organizado.
A Guarda Civil Metropolitana (GCM) garante que reforçou o combate aos depósitos clandestinos e, no ano passado, mais de um 1 milhão de CDs, DVDs e fitas piratas foram aprendidos só na região central. Mas, como se pode constatar pelo que se passa na Rua Barão de Itapetininga, isto é muito pouco. É preciso que a Força-Tarefa - criada em 2002 pela Prefeitura para combater o comércio de mercadorias ilegais e integrada pela GCM, o Ministério Público Estadual, as Polícias Civil, Militar e Federal e a Receita Federal -, cujas operações produziram bons resultados, volte a atuar como antes.
É inaceitável que os grandes investimentos que vêm sendo feitos para revitalizar o centro sejam comprometidos pela camelotagem.
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