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Mais um policial é executado
MARIANA PINTO e JOSÉ DACAUAZILIQUÁ
O carcereiro Alexandre de Oliveira Bosco, 21 anos, ingressou na Polícia Civil em setembro do ano passado. Trabalhava escoltando presos na ala de detentos do Hospital Heliópolis, na Zona Sul. Na manhã de ontem, moradores da Rua Ângelo Camata, na Vila Vermelha, Zona Sul, encontraram seu corpo jogado no asfalto com um tiro de espingarda calibre 12 na cabeça. Fazia algumas horas que ele havia saído do hospital para comer um lanche. A polícia suspeita de que ele tenha sido vítima do crime organizado.
Alexandre é o 12º policial civil morto desde o início dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), em 12 de maio. Só na madrugada de sábado na Capital, quatro policiais, dois civis e dois militares, morreram em menos de quatro horas. Dos crimes, só dois foram tentativas de assalto. Uma tentativa de roubo, ontem à tarde na Zona Norte, também deixou ferido o tenente da reserva Massayoshi Nagano, 50 anos. O crime aconteceu na Rua Itaporanga d'Ajuda, no bairro Pedra Branca. Nagano está no Hospital da PM em estado grave.
O corpo de Alexandre foi velado ontem na Academia da Polícia Civil, na Cidade Universitária. O policial era casado e tinha uma filha.
No domingo, Alexandre escoltava um preso que aguarda cirurgia no Hospital Heliópolis. Quando anoiteceu, o policial disse ao colega Leandro Augusto da Silva, 22 anos, que iria comer um sanduíche. Segundo a polícia, Alexandre pretendia ir a uma lanchonete chamada Mac Favela, dentro da favela.
Como o amigo não voltava, Leandro comunicou seu desaparecimento à polícia. Já era madrugada. Por volta das 8h de ontem, a PM foi chamada para atender uma ocorrência de encontro de cadáver. Já sabendo do desaparecimento de Alexandre, PMs suspeitaram de que o corpo pudesse ser do carcereiro e chamaram Leandro, que o reconheceu imediatamente.
Alexandre teve a pistola ponto 40, o colete à prova de balas e o distintivo da polícia levados pelos criminosos. A polícia acredita que ele tenha sido morto na favela e levado para a Rua Angelo Camata.
Além do tiro de espingarda calibre 12 na cabeça, ele foi baleado por uma arma de outro calibre nos braços, pernas e mãos. "Ele tentou se defender dos disparos pondo o braço na frente do rosto", disse João Lopes da Silva Netto, titular do 26º DP, Sacomã, onde o caso foi registrado. Também haviam sinais de que o corpo do policial foi arrastado. Há suspeitas de que, antes de ser morto com o tiro na cabeça, ele tenha sido torturado com os disparos nas pernas e nos braços.
No sábado, também na Favela Heliópolis, criminosos mataram com mais de cinco tiros no peito o PM José Tibiriçá da Silva, 33 anos.
O secretário da Segurança Pública, Saulo Abreu, afirmou ontem que as mortes dos dois policiais civis e dois militares no fim de semana não têm relação com o PCC.
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