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Terça-feira, 11 julho de 2006   edições anteriores
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  Cadê a limpeza do Tietê?

Quatro meses depois da entrega da 1ª fase do Projeto Tietê, a sujeira do rio voltou a aparecer no trecho urbano

DANIEL GONZALES, daniel.gonzales@grupoestado.com.br

Bastou a chuva castigar moderadamente a Capital durante a madrugada e parte da manhã de ontem para que toneladas de lixo - garrafas PET, restos de móveis, sacos de lixo, pedaços de madeira, vegetação - aparecessem boiando nas águas do Rio Tietê, ao longo dos 25 km do seu trecho urbano.

Para os paulistanos que passavam pela Marginal do Tietê ou em suas pontes, a impressão que ficou foi a de que a limpeza do rio não está sendo feita, quatro meses depois da entrega, pelo governo do Estado, da primeira fase das obras do Projeto Tietê, em março. A Assessoria da Secretaria Estadual de Recursos Hídricos garante, no entanto, que a retirada de lixo do Tietê e de suas margens vem sendo executada constantemente por 200 trabalhadores.

O problema, segundo o órgão, é que há lixo demais para ser retirado. Além da sujeira lançada por motoristas e camelôs na Marginal, o Tietê recebe todos os detritos trazidos por um sistema de afluentes composto por 68 rios e córregos e 700 bocas de desemboque de águas. Tudo isso vai parar dentro do rio por causa das chuvas.

Para tornar a limpeza e a manutenção das obras já feitas - que incluíram o alargamento do leito de 22 metros para 45 metros e o aprofundamento da calha em mais 2,5 metros - mais eficientes, a secretaria vem trabalhando na criação de uma Parceria Público-Privada (PPP) para que a iniciativa privada assuma o serviço. O contrato deve prever a retirada de sedimentos a um volume de 800.000 m3 por ano.

14 pontos de alagamento

Entre a madrugada e a tarde de ontem, 14 pontos de alagamento foram registrados pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) em todas as regiões da Cidade. Dois deles, transitáveis, tomaram as pistas da Marginal do Pinheiros, um na altura do número 20.000 e outro na altura da Ponte do Socorro. A Rua Coronel Marques Ribeiro, na Zona Norte, próxima da Marginal do Tietê, encheu por causa dos bueiros entupidos. No Centro, houve um alagamento próximo da Praça da Bandeira.

O maior transtorno ocorreu com a interdição, por causa de um alagamento, de quatro das cinco pistas da Rodovia Fernão Dias na altura do km 83, na chegada à Capital. A Polícia Rodoviária Federal registrou congestionamento de 16 km, que só terminou no início da noite.

Congestionamento de 3 km também foi registrado na Via Anchieta, que foi interditada preventivamente em dois trechos - km 14 da pista sentido SP e km 10 da pista sentido Litoral - por causa do alto nível do Ribeirão dos Couros.

A cidade de Pirapora do Bom Jesus, na Grande São Paulo, também sofreu com as chuvas. O lixo do Rio Tietê se acumulou na represa do município e o alto volume das águas causou o surgimento de muita espuma.



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