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O livro e a brisa
Mara Gabrilli
Em diversos lugares por onde passo, sinto que uma transformação está latente, prestes a explodir. Não só sinto, como vejo. Por exemplo, observo no rosto de um dono de estabelecimento onde não consigo transitar com minha cadeira de rodas - por conta de um degrau indevido ou desnível inusitado - a expressão de constrangimento e, em seguida, disparado um pedido de desculpas, "vamos corrigir isso". Em outros casos, ouço ainda "você viu que fizemos uma rampa de acesso logo na entrada?", ou, então, "o banheiro está acessível, você reparou?".
Percebo que há espalhada pelo ar uma brisa chamada acessibilidade. Outro dia, fui a um comerciante da Rua João Cachoeira e pedi que o degrau da porta fosse transformado em rampa. Passadas algumas semanas, lá estava ela: a rampa de acesso para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Tive o sentimento de vitória de campeonato. Mas ainda estamos no primeiro tempo do jogo...
Na semana retrasada, a Secretaria da Pessoa com Deficiência lançou o Livro de Acessibilidade e Mobilidade Acessível na Cidade de São Paulo com o objetivo de ajudar esses potenciais transformadores da cidade com orientações técnicas sobre acessibilidade e mobilidade urbana. O livro tem o desafio de inserir socialmente todas as pessoas por meio da promoção do Desenho Universal - conceito que garante plena acessibilidade aos ambientes, respeitando a diversidade humana. A publicação, que contém informações extraídas de normas técnicas, foi feita em uma linguagem simples para que possa ser usada tanto por profissionais de arquitetura e construção quanto por qualquer cidadão que se interesse pelo tema.
Espero que esse livro contribua para que a brisa da acessibilidade se torne em uma imensa ventania. Estou torcendo e trabalhando para que, quando esse jogo terminar, possamos ter uma São Paulo democrática, livre e acessível. Nossa cidade merece essa transformação!
TETRAPLÉGICA E SECRETÁRIA ESPECIAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA E MOBILIDADE REDUZIDA DA PREFEITURA DE SÃO PAULO
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