| |
DNA confirma: Ivandel está morto
Teste comparou o código genético de familiares do jornalista com o fêmur encontrado pela polícia num terreno baldio no Capão Redondo
MARCELO GODOY, marcelo.godoy@grupoestado.com.br
O jornalista Ivandel Godinho Júnior está morto. O mistério chegou ao fim ontem com o resultado de um exame de DNA que mostrou ser do jornalista seqüestrado a ossada achada no dia 31 num terreno baldio no Capão Redondo, Zona Sul. Os exames compararam o código genético extraído de um fêmur com o DNA da mulher de Ivandel e de Hugo Godinho, o filho do jornalista.
Oficialmente, a polícia só deve divulgar o resultado do laudo na próxima semana. O exame se transformou numa das principais provas contra os seqüestradores acusados do crime. A Divisão Anti-Seqüestro (DAS) chegou ao corpo do jornalista depois de dois anos e meio de investigações. Isso só foi possível depois da prisão de Miguel José dos Santos Júnior, o Juninho, acusado de ser o responsável por negociar o valor do resgate com a família.
Juninho foi preso no dia 26 de maio em Itanhaém, no Litoral Sul. Ele confessou o crime e contou que o jornalista foi assassinado no dia 25 de outubro de 2003, três dias depois de ser seqüestrado. Juninho disse que um comparsa seu, Wilson Moraes Silva, o Turu, matou Ivandel a coronhadas. De acordo com ele, Ivandel, que tomava remédios, teve uma crise nervosa, gritou e acabou se envolvendo numa briga com Turu. O bandido estava sozinho com a vítima no cativeiro, no Jardim Ângela, Zona Sul.
Mesmo com Ivandel morto, o bando continuou a contatar a família. Aproveitaram-se do desespero dos parentes e conseguiram o pagamento de R$ 50 mil como resgate.
Horas depois de o dinheiro ser entregue, telefonaram para a família e mandaram que os parentes reunissem mais dinheiro se quisessem ver Ivandel vivo de novo. Depois disso, nunca mais telefonaram. Durante esse tempo, o empresário Ivens Godinho, 55 anos, sempre acreditou que o irmão estava vivo.
Em janeiro de 2005, a polícia começou a desvendar o caso com a detenção do adolescente G.M.S.. Ele confessou a participação no crime e apontou mais cinco comparsas. Foram presos então Fabiano Pavan Prado e Turu, ambos já condenados pelo crime. Na época, os bandidos contaram que Ivandel havia sido morto no cativeiro, mas disseram que haviam incendiado o corpo. Um seqüestrador levou a polícia a um terreno no Jardim Ângela e a polícia recolheu ossos no lugar. Mas exames mostraram que os ossos eram de um cachorro.
O caso quase voltou ao zero até a prisão de Juninho. Ele havia trabalhado como motoboy na In Press, a empresa de Ivandel, e foi o responsável por sugerir que ele fosse seqüestrado. Ivandel foi seqüestrado quando saía da In Press. O táxi em que estava foi abordado por dois bandidos em uma motocicleta - um terceiro dava cobertura. Mandaram que o jornalista descesse do táxi e subisse na moto entre dois dos bandidos. Dois acusados do crime ainda estão foragidos.
|