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'Nós estamos no caminho certo'
A entrevista exclusiva do técnico Carlos Alberto Parreira foi concedida aos repórteres Cosme Rímoli, Luiz Antônio Prósperi, Dagoberto Azzoni e Sidney Mazzoni na concentração da Seleção
Sentado como um adolescente no degrau da escada de pedra que leva ao imponente Castelo Lerbach,em Bergish Gladbach, Carlos Alberto Parreira atendeu em entrevista exclusiva a equipe do JT. Como testemunhas da conversa pássaros, esquilos e seguranças de terno preto que infestam os bosques e jardins do luxuoso hotel que serve de concentração para o Brasil.
A seriedade e a concentração com que o técnico apontou os caminhos com que pretende levar o Brasil ao hexa destoam da sua maneira pouco habitual de passar informação.
Embora seja tetracampeão mundial em 1994, Parreira não conseguiu montar uma equipe que ficasse marcada na história pelo talento. O fim do jejum de 24 anos acabou de uma maneira tão feliz quanto mecânica. O time ficou marcado por ser o ápice da geração Dunga.
Parreira não gosta de ver cultuada a Seleção de 1982 que foi eliminada da Copa da Espanha nas quartas-de-final pela Itália de Paolo Rossi. Admite o talento da equipe canarinho mas reclama da falta de marcação do time de Telê Santana.
Depois de muito criticado nas vitórias magras diante da Croácia e Austrália aqui na Alemanha, vieram os elogios após os 4 a 1 contra o Japão em Dortmund, anteontem. Sorrindo, Parreira quer neste Mundial mostrar ser possível misturar a técnica de 82 com a objetividade de 94. O treinador sonha ganhar a Copa do Mundo com qualidade, mas sem riscos. E sabe que se vier a conquista ela será dividida por todos. Se o Brasil cair, o fracasso será dele.
Jornal da Tarde - O Brasil vai ganhar a Copa do Mundo? Parreira - É o que eu quero (risos). Estamos no caminho e da maneira que eu queria. Como a natureza não dá grandes saltos, o Brasil foi montado por mim para subir degrau por degrau. Falaram que a Seleção chegou com o ritmo abaixo das demais seleções. Foi de propósito. O projeto está sendo cumprido. Mas a classificação para as oitavas veio de forma segura, sem sofrimento. Ao contrário de outras seleções tradicionais, o Brasil nunca esteve ameaçado. E agora nas oitavas estará melhor.
Você é um homem centrado. De onde vem tamanha confiança? Vem das observações dos jogadores e do crescimento tático da equipe desde o período pré-Copa na Suíça. O time ganhou corpo e confiança. Só que eu tenho de dizer uma coisa: a equipe é forte, mas não vem de outra galáxia, se não trabalhar e lutar não ganha a Copa.
Você está falando do quadrado mágico? Você colocou os jogadores Kaká e Ronaldinho Gaúcho para correr e marcar. Em uma competição curta como a Copa, todos precisam estar envolvidos no esquema da equipe. Comprometidos mesmo. Ele foi feito para poder aproveitar o que os atletas têm de melhor, que é a técnica, como também para preencher os espaços quando o time é atacado. O comprometimento com o esquema tem sido crucial para as vitórias.
Você está preocupado com as cobranças de conquista e com a exigência de exibições de encher os olhos do torcedor? Não. Até porque o time já está conseguindo fazer as duas coisas. As nossas vitórias até aqui já mostram isso. Mas a minha preocupação, minha responsabilidade está em montar um time competitivo com o compromisso da vitória. Estamos aqui para ganhar a Copa do Mundo e não para dar show. Isso aqui é Copa, mano, a competição mais importante do futebol. Ninguém aqui está brincando.
Como o time chega às oitavas-de-final da competição? O time está consciente. Sabe o que fazer. E sabe que Gana é uma grande Seleção. Temos de aplicar toda a nossa competitividade e talento para passar por ela. Não vai ser nada fácil. Vai ser um jogo duro.
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