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Hércules no Anhangabaú
Os grupos Parlapatões e Pia Fraus levam ao centro da cidade uma nova comédia
LUDMILA AZEVEDO
ludmila.azevedo@grupoestado.com.br
Tem um semideus solto no Vale do Anhangabaú desde segunda-feira. Ele ensaia 12 trabalhos que deverão ser executados a partir de hoje, com a primeira apresentação do espetáculo Hércules em São Paulo. Durante o mês de abril, a peça será apresentada também no Parque da Independência (Ipiranga,) Parque da Cidadania (Carandiru) e na Comunidade de Heliópolis.
Hércules é uma dobradinha entre os Parlapatões, Patifes e Paspalhões e Pia Fraus. Para a entrada gratuita, serão distribuídas senhas no local, com uma hora de antecedência. As trupes teatrais montaram uma arquibancada para 800 pessoas, em frente ao prédio dos Correios, mas com certeza vão atrair várias outras pessoas curiosas que circulam no Anhangabaú depois do expediente.
"Nossa proposta é fazer um teatro popular, no entanto com uma certa sofisticação. O mito pode ser tratado como tragédia ou comédia. Nós adotamos uma linguagem bem contemporânea.Ficamos no meio do caminho", afirma o diretor Beto Andretta.
Hércules representa uma inovação nas proporções para o teatro de rua. As companhias têm a intenção de tornar as artes cênicas tão acessíveis quanto grandes shows abertos ao público. "Quisemos romper o paradigma da apresentação tímida nas ruas. Temos carro, motos, bonecos, enfim, um aparato grandioso em cena. E isso só foi possível unindo a Pia Fraus e os Parlapatões: foi um trabalho digno de Hércules", explica Andretta.
Haja força
A mitologia conta que Hércules, filho da mortal Alcmena com o deus grego Zeus, é atormentado pela mulher do pai, a deusa Hera. Ela envia para o enteado "presentes" como uma cobra venenosa. Já adulto, Hércules, dono de uma força descomunal, perde a cabeça e mata mulher e filhos. Para se redimir do crime, ele precisa cumprir tarefas nada simples como matar feras, limpar lugares imundos, descer ao inferno para buscar um cão de três cabeças .
Na montagem, a batalha é contra a guerra, as doenças, a fome, os poderes econômicos, religiosos ou políticos. Tudo é tratado com bastante humor, presente no trabalho das companhias teatrais veteranas.
O ator Raul Barretto representa o guerreiro. "Como já tenho 37 anos, as pessoas dizem que eu deveria fazer o papel de Moisés ou Matusalém, mas como eu tenho dois metros de altura, resolvi aceitar o desafio e os outros atores ainda ficam pequeninos diante de mim", brinca.
Em cena estão 26 atores (17 deles formados em oficinas oferecidas pelos grupos). "A rua é sempre um recomeço porque muitas vezes lidamos com condições adversas, mas o resultado é gratificante. Hércules é a realização de um sonho".
(SERVIÇO)Hércules. Vale do Anhangabaú, Centro. Hoje e amanhã, às 18h30, e sáb, às 18h30 e 20h30. Gratuito. Inf.: 3061-9799
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