A Polícia Federal já concluiu que o ex-ministro Antônio Palocci (Fazenda) foi o mandante da quebra ilegal de sigilo do caseiro Francenildo Costa. Para consumar o crime, ele contou com a cumplicidade do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso, que determinou a subordinados que bisbilhotassem a conta do caseiro.
Palocci e Mattoso - já indiciados por violação de sigilo funcional e quebra ilegal de sigilo bancário - podem pegar até 6 anos de prisão.
O inquérito será concluído no dia 21, mas a PF crê já ter desvendado a cadeia de comando. Palocci e Mattoso concordaram em confessar o crime, mas combinaram as versões para facilitar a defesa de ambos.
Segundo a PF, Palocci utilizou o cargo para obter informação à qual não poderia ter acesso legalmente, usando-a para perseguir o caseiro. Em entrevista publicada pelo JT, mês passado, Nildo revelou que Palocci freqüentava a mansão, em Brasília, na qual lobistas de Ribeirão Preto promoviam reuniões, partilha de dinheiros e festas.
No depoimento sigiloso que prestou anteontem, Palocci confirmou ter acionado o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), subordinado a ele, para levantar dúvidas sobre depósitos elevados na conta do caseiro, com objetivo de forçar a PF a entrar na investigação.
Agora a Polícia Federal quer descobrir o responsável pela entrega do extrato bancário de Nildo à revista Época. O principal suspeito é o jornalista Marcelo Netto, ex-assessor do ex-ministro. Ontem, interrogado pela PF, Netto usou o direito de ficar calado para não levantar prova contra si. E não foi indiciado.
A polícia entendeu que não há elementos, prova material ou depoimento, que permitam seu indiciamento. Mas Netto continuará como alvo da investigação para identificar o autor do vazamento.
Netto chegou para depor às 8h e deixou a sede da PF três horas depois, sem falar com a imprensa. Seu advogado, Eduardo Toledo, disse que ele confirmou ter estado na casa da Palocci no dia 16 de março, data em que o ex-ministro recebeu a cópia do extrato do caseiro e reuniu-se com dois assessores do Ministério da Justiça, para tentar colocar a PF no encalço de Nildo.