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Esperança
VALDI ERCOLANI
A Esperança é aquela criança incorrigível que não consegue ficar quieta. No pleito deste ano, uma vez mais, ela visitará as urnas, a fim de escolher aqueles que irão decidir nosso destino. Mas ela é sempre a vítima, morrendo como uma flor adorável. Decepcionou-se com o Sarney, foi iludida pelas juras do Collor, acreditou na conversa do FHC e, no final, se deixou seduzir pelas promessas do "Lula".
"Partidos armam acordo para salvar o mandato de alguns dos acusados de receber dinheiro do 'mensalão'", registrou um jornal. "A infelicidade de uma nação começa quando há conluios. Isso ocorre quando se corrompem seus dirigentes, deputados, senadores e suas elites que, afeiçoando-se ao dinheiro, não mais se apegam às suas virtudes", escreveu Montesquieu, em seu Espírito das Leis.
A Esperança, porém, é ciente de que estamos todos presos numa teia inescapável de reciprocidade. Cada um de nós é um elo que se acha numa relação de efeito com o que antecede e de causa com o sucessor. Assim sendo, podemos concluir que cada gesto nosso irá criar novas realidades, boas ou ruins, de acordo com a consciência que inspirou esses atos. O que somos hoje é o efeito de ontem, e seremos amanhã o que somos hoje. Se quisermos ter o amanhã melhor, é preciso mudar hoje.
A Esperança sabe que as novas gerações nascem sempre saudáveis, e que elas só se perdem quando os adultos as abandonam, ou quando já estão corrompidos.
As leis da educação são as primeiras que recebemos. De modo que, para formar bons cidadãos, cada família deve ser governada semelhante à grande família que compreende todas, isto é, o governo.
Se o governo, cujo elo se acha numa relação de causa, tem como princípio a virtude, as partes que o compõem também o terão. Então, a riqueza da ética substituirá as outras riquezas. Esta é a ilusão que alimenta a Esperança.
CINEASTA E ESCRITOR
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