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Quinta-feira, 6 abril de 2006   edições anteriores
Opinião
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  Tem até 'leasing' no crime

A reportagem de Marinês Campos publicada ontem neste jornal sob o título "Armas para alugar" detecta mais um passo da criminalidade em sua caracterização, não mais como uma atividade fora da lei e reprimida pelo aparelho policial e pela Justiça, mas como um negócio próspero e organizado.

Já era de conhecimento geral a prática da terceirização dos seqüestros de longa duração. Esse crime, banalizado nas metrópoles brasileiras (e hoje praticado rotineiramente até nas menores cidades do interior), permite um gênero de sofisticação gerencial, que vem sendo aplicada sem nenhum tipo de restrição. Profissionais especializados cuidam da abordagem e transporte da vítima escolhida até o cativeiro, onde outro grupo toma conta do refém, enquanto um terceiro, especialista no mister, cuida da negociação com seus familiares para a obtenção do resgate pretendido. Tudo funciona como uma empresa moderna com fins lucrativos e cobrança de desempenho.

Esse capitalismo à brasileira não foge à regra tradicional da necessidade de capital para investir no negócio e, quando não há recursos suficientes para a aquisição do material necessário para sua realização (afinal, armas de fogo modernas são encontradas no mercado, mas a preços às vezes proibitivos para o poder aquisitivo dessas quadrilhas), recorre-se a outra prática comum na economia formal - o leasing. É o que revela a reportagem, que deu manchete em nossa primeira página ontem ("Alugam-se armas").

Segundo revela a repórter, quem não dispõe de pelo menos R$ 10 mil para comprar à vista uma pistola calibre 380 ou um fuzil AR-15, é possível encomendar pelo telefone e receber em domicílio esses equipamentos de trabalho favoritos dos profissionais do assalto. O preço do aluguel do armamento necessário para a ação varia de acordo com seu rendimento: o locador recebe uma comissão que varia normalmente entre 20% e 30% do lucro nela obtido. Impossibilitados de anunciar nos meios de comunicação, estes novos negociantes do crime mais que organizado divulgam a disponibilidade do serviço que oferecem pelo sistema do boca-a-boca.

Era o que faltava para provar a ineficiência do Estado brasileiro em garantir segurança e tranqüilidade ao cidadão.



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