A conclusão da obra de rebaixamento da calha (2,5 metros mais profunda) e de alargamento das margens (de 20 m a 25 m para 40 m a 46 m) do Rio Tietê é da maior importância, porque constitui um exemplo para todo o País do muito que o poder público, com o apoio da sociedade, é capaz de fazer na área ambiental.
O fato de dois governos sucessivos terem garantido a continuidade da obra - fato raro na administração pública brasileira - foi fator decisivo. Depois de malsucedidas tentativas de atacar as causas do assoreamento, o governador Mário Covas encontrou o caminho certo e a Calha do Tietê foi rebaixada nos 16 quilômetros da Barragem Edgard de Souza até o Cebolão, entre 1998 e 2000.
Alckmin deu prosseguimento à obra, com o aprofundamento da calha do Cebolão à Barragem da Penha e o alargamento e revestimento das margens do rio com concreto, ao custo de R$ 1,111 bilhão, 75% dos quais bancados pelo Japan Bank for International Cooperation. Esses trabalhos possibilitaram o aumento da vazão do Tietê em 80%, de 600 para 1.048 metros cúbicos por segundo, um passo decisivo para o combate às enchentes na Capital.
Embora essa obra não signifique a solução definitiva do problema das inundações, agora "é mínima a probabilidade de transbordamentos", segundo afirma o secretário de Recursos Hídricos, Mauro Arce. De fato, desde o ano passado, já se pode constatar o seu efeito altamente positivo nesse caso, uma grande conquista para a população.
Por mais importante que seja essa obra, contudo, ela representa só uma etapa da recuperação do Tietê. Para completar o projeto, é preciso continuar sem esmorecimento a tarefa de despoluição do rio, que deve ser concluída no próximo ano. Estão sendo construídos 33 quilômetros de interceptores, 107 de coletores-tronco, 1.200 de redes de coletoras e 290 mil ligações domiciliares para coletar e tratar o esgoto. Com a execução dessa segunda parte do projeto, os índices de coleta de esgoto passarão para 84% e os de tratamento, para 70%.
Finalmente, é indispensável que se dê, daqui para a frente, atenção especial ao trabalho de manutenção. A limpeza regular do leito e das margens é essencial para evitar que a areia e o lixo trazidos pelas chuvas voltem a se acumular no Tietê. Se isso vier a ocorrer, todo o difícil e caro trabalho realizado ficará comprometido. "A manutenção começa imediatamente", afirmou Alckmin ao anunciar as primeiras medidas nesse sentido.
Mas toda vigilância será pouca, porque a tendência na administração pública é relegar a segundo plano a manutenção. Por isso, a mobilização da sociedade em favor da recuperação do rio - que foi promovida pela Rádio Eldorado, do Grupo Estado, quando sob a direção de João Lara Mesquita, da qual nasceu o Projeto Tietê - deve prosseguir para garantir a consolidação das conquistas obtidas.